Das poucas memórias que ainda retenho de quando era mesmo muito pequeno, a maioria está relacionada com desenhar (ou com comer 😉 rs).

Lembro de uma reunião com familiares e amigos, acredito que em casa de uma tia avó, em São Paulo (ou terá sido em Curitiba?), em que o “tio Nando” (o primo da minha mãe), desenhou-me um carro. Acho que era um Fusca.

Lembro também de estar na cozinha de casa, em Curitiba, com os meus 7 para 8 anos, a encher uma folha com pequenos desenhos ao lado de uma amiga da família. Quais desenhos? Já não sei. Lembro que desenhava velas. Sim, velas, daquelas acesas, com cera escorrendo, sobre um prato. Daquelas dos cartões de natal. E mais muitas outras coisas que já não sei o que eram.

Dessa altura lembro ainda de uma tarefa dada na escola. Eu e alguns colegas escolhemos desenhar carros. Desenhei vários. Coloridos. De vários “formatos”. Não sei que fim levaram esses desenhos, mas acho que alguém os encontrou, pois tenho certeza que já vi um ou dois deles na rua. Sim. Carros. Que eu desenhei mais de 30 anos atrás. Quem diria que eu seria um visionário, hein? 😉

Lembro de passar horas a desenhar. Nos meus cadernos pautados, no verso de folhas que outrora tinham sido relatórios com que meu pai trabalhava, em calendários que todos os anos nos enviavam e que terminavam sua vida servindo de suporte à minha grande paixão. Lembro de desenhar na escola, enquanto os outros demoravam-se nos exercícios. Eu não. Terminava o mais rápido possível, pois desenhar era mais importante.   Ou em casa. No meu quarto. Passava horas ali, desenhando. E na cozinha, com amigos. Lembro de um amigo que veio me visitar e passamos a maior parte da tarde a desenhar ninjas e guerreiros medievais e soldados ao melhor estilo rambo.

No secundário, ainda desenhava, mas já não com tanta regularidade. A vida foi apresentando outros sabores e eu me perdi em um labirinto de escolhas que, se não me arrependo de lá ter me embrenhado, deixaram um sentimendo de nostalgia do tempo em que desenhar conseguia preencher minha solidão. Do tempo em que o sentimento de sucesso por conseguir desenhar algo que me enchesse de orgulho bastava para satisfazer meu ego. O que os outros pensavam era absolutamente irrelevante.

De onde surgiu essa minha verve artística? Não sei. Meu pai e minha mãe desenharam um pouco, quando jovens. Mas nada muito sério. Só ao fim da vida é que meu pai resolveu abraçar uma paixão, que era a pintura. Maspraticamente todos os meus tios e tias por parte de pai envolveram-se com atividades relacionadas com o desenho e a pintura em algum momento. Se calhar a verve é genética. Quem sabe? A pergunta que importa, entretanto, não é essa.

Para onde ela foi? A vontade de desenhar?

Nos anos entre o fim do secundário e o nascimento do meu filho, por vezes eu desenhei. Na maioria das vezes, a pedido de amigos. Lembro de ter feito muitos desenhos de “Pokemons” (acho eu que eram…) para a irmã mais nova de uma amiga, a quem eu passei algum tempo ajudando com umas lições extras de matemática. No fundo, a vontade de desenhar esteve sempre lá, mas o que eu fazia antes já não me bastava e eu não conseguia conciliar a necessidade de aprender mais com tudo que eu tinha para fazer.

De repente, veio o filho. E ele gosta de me ver desenhar. E pede que eu desenhe muitas coisas. E desde então eu voltei. Nada sério em termos artísticos. Apenas um momento que deixa o pequenote feliz, com mais um desenho para pendurar na parede do quarto.

Primavera

De repente, em meio a todos os gostos, bons e maus, com que o mundo me bombardeia, voltei a sentir esse gostinho… Até fiz um “ensaio”. Será que eu conseguia voltar a fazer pelo menos o que fazia quando era jovem, passados tantos anos? E lá fui eu fazer um teste… E sim. Até que não correu muito mal.

Agora os planos são de aprender a desenhar como deve ser. Artisticamente falando. Mas eu confesso que não será tarefa fácil. Nunca é. Entretanto, sempre que tiver um desenho novo, seja um estudo ou um desenho “a sério”, venho aqui mostrar pra vocês. Quem sabe não ajuda a alguém decidir-se por enveredar por esse caminho também?