O dia mundial do livro foi oficialmente definido pela UNESCO como sendo o dia 23 de Abril. No discurso deste ano, a diretora geral da UNESCO, Irina Bokova, iniciou com a seguinte afirmação:

O dia Mundial do Livro e do Copyright é uma oportunidade para destacar o poder dos livros para promover a nossa visão de sociedades do conhecimento que são inclusivas, pluralistas, eqüitativas, abertas e participativas para todos os cidadãos.

É curioso notar que a UNESCO comemora não apenas o “Livro”, mas também o “Copyright”. Mas isso fica para uma discussão futura.

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Cartaz da UNESCO para a celebração do dia mundial do Livro 2017

Mas porque é que o dia 23 de Abril foi o dia escolhido pela UNESCO? A primeira associação entre esta data e livros foi feita ainda no século passado, em 1923, quando o escritor valenciano Vicente Clavel Andrés sugeriu-a, como forma de homenagear o escritor Miguel de Cervantes (Don Quixote, lembra?) que faleceu neste dia. Entretanto, 23 de Abril também é a data de morte ou nascimento de muitos outros autores famosos, como William Shakespeare, por exemplo. Daí manter-se este dia para as comemorações sobre o livro. O livro foi comemorado oficialmente, pela primeira vez, em 1995.

Também é importante frisar que este ano, em seu discurso, Irina Bokova sublinhou a necessidade de reconhecermos que as pessoas com necessidades especiais também tem direito à leitura e aquisição de conhecimento, e que há uma enorme deficiência de livros adequados às suas necessidades e, quando existem, são muitas vezes inacessíveis por questões de preço ou de inadequação por falta de qualidade.

Ao fim e ao cabo, quantos livros para pessoas com necessidades especiais você já viu pessoalmente? Quando entras em uma livraria, onde estão?

Percebeu?

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A inclusão é uma luta obrigatória e todos deveríamos “pegar em armas” para ajudar. Mas a realidade não é essa. A maioria de nós pouco ou nada faz por aqueles que, quase sempre, não tem força para lutar por si mesmos.

Juntamos a lógica de mercado e pronto, não me parece uma tarefa fácil. Há ainda muito para mudar, em nossa mentalidade, em nossas relações, para continuarmos conseguindo avançar em direção à sociedades mais inclusivas.

Entre os inimigos dessa luta está o facto, sempre presente, da baixa adesão à leitura. Em um país como o Brasil, por exemplo, a leitura parece ser considerada dispensável ou inalcansável pela maior parte da população. Isso faz com que leia-se pouco, e com baixa qualidade.

No início do ano passado (2016), o Instituto Pró-Livro realizou a 4º edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil“. Alguns números são alarmantes. Por exemplo, no Brasil, 44% dos entrevistados não lê. Entre os que lêem, a média de livros lidos até o fim não chega a 3 ao longo de um ano inteiro. Dos livros lidos, a bíblia é quase sempre um deles. Justo um livro que requer uma capacidade elevada de interpretação e senso crítico para sua compreensão e contextualização, coisa que pelo menos 70% dos brasileiros não tem.

Se formos olhar para as listas dos livros mais vendidos, tanto de ficção como não ficção, as escolhas mostram que, de forma geral, o brasileiro não sabe ler.

A escola tem feito seu papel, da melhor maneira que consegue, mas é preciso mais. É preciso que a sociedade, aquela que tem acesso à educação de qualidade, eu, e provavelmente você que está lendo este texto, assuma a responsabilidade de mudar isso.

O incentivo à leitura, não qualquer leitura, mas de qualidade (não necessariamente “difícil”), é fundamental para ajudar a munir as pessoas com ferramentas que permitam o desenvolvimento do senso crítico e de responsabilidade.

A ignorância nunca trouxe e não vai trazer nada de bom.

E isso é um problema meu e seu também.