Dia do Trabalhador

No dia 1º de Maio, hoje, é comemorado na maioria dos países do mundo o dia do Trabalhador.

Em 1886, em Chicago (EUA), uma grande manifestação aconteceu nesse dia, reinvindicando a diminuição da jornada de trabalho de 16 para 8 horas. As manifestações continuaram por dias, com enfrentamentos com a polícia, mortes e prisões.

Em 1889, 3 anos depois, a Segunda Internacional Socialista reunida em Paris, decidiu que todos os anos, no 1º de Maio, seriam convocadas manifestações para lutar pela redução da jornada de trabalho. A data foi escolhida para homenagear os eventos iniciados em Chicago.

A partir daí, a pouco e pouco, os países foram cedendo à pressão dos sindicatos e dos trabalhadores e a jornada de 8 horas tornou-se praticamente universal, ainda que nem sempre seja respeitada.

Curiosamente, os EUA não reconhecem o dia 1º de Maio como dia do trabalhador, que é comemorado em outra data.

No Brasil, a data foi institucionalizada em 1925, mas apenas com o advento da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) a jornada foi definida como sendo 8 horas. Curiosamente, o objectivo de Getúlio Vargas ao consolidar as leis do trabalho não foi altruísta. Tanto que desde então, o dia deixou de ser o “Dia do Trabalhador” e passou a ser conhecido como “Dia do Trabalho”.

A importância deixou de estar nas pessoas e passou a estar na ação.

Sim. Foram os sindicalistas, os anarquistas e comunistas que pressionaram os governos, que morreram lutando por aquilo em que acreditavam, e que conseguiram que você, que agora lê estas palavras, não tivesse que gastar 2/3 do dia trabalhando. Não foi o “mercado” ou o “bom senso” que conseguiu isso.

Na antiguidade, o trabalho era uma atividade reservada a escravos. Nada mudou. Você ainda é um escravo. Sua condição de vida melhorou graças ao sangue de muita gente. Mas você ainda é um escravo.

O que você produz, seja na agricultura, na indústria ou no comércio, seja por conta própria ou como empregado de alguém, é transformado em riqueza, sendo que a maior parte vai parar às mãos de um número bastante reduzido de pessoas.

Porque no passado, alguém, sob a força de armas, decidiu quem era dono do quê, e a maioria das pessoas ficou de fora da lista. Hoje, você, que não é dono de nada (relevante), tem de vender a única coisa que realmente possui: sua capacidade de trabalhar. E como não há trabalho para todos, tem de fazer pelo valor que te oferecem. A alternativa, dizem, é a miséria. E já há muita gente lá…

E quando algumas pessoas corajosas começam a contestar a situação, quem manda nisso tudo solta os cães em cima deles. E todos, por cegueira, interesse ou medo, acabam reproduzindo a ladainha: Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Na prática, o objetivo daqueles que mandam nisso tudo não é “roubar” você. Eles já são donos disso tudo. Tem muito mais do que vão poder gastar. O objetivo é mais vil. O que eles querem é criar uma situação em que aqueles que tem alguma coisa façam o que for preciso para manter-se ali, enquanto que os que não tem nada aceitem o que for para saírem de onde estão. E ambos vêem uns aos outros como o “inimigo”. E essa visão não surgiu “naturalmente”.

Esse é o mundo em que vivemos.

O problema não é o partido PX ou PXYZ. O problema é a economia. O problema são os donos disso tudo. O problema é nossa incapacidade em ver isso e vencer o medo de perder o pouco que temos.

A menos que aqueles que sofrem levantem a voz e aguentem as consequências, não aceitando as migalhas que lhes atiram para calarem-nos, tudo vai piorar. Talvez não hoje, mas vai.

Não há direitos “garantidos”.

Esse é o mundo em que vivemos. Mas eu acredito que não tem de ser assim.

Feliz dia do trabalhador.

Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.
Edmund Burke

7 comentários em “Dia do Trabalhador

  1. Gostei de ficar sabendo da história do surgimento do Dia do Trabalhador. É bom ter essa informação porque tem gente que acha que direitos caíram do céu, que é justamente o que o governo do Partido XYZABCDE quer. Deixar o povo alienado enquanto eles ficam lá nos espreitando. Mas botamos medo nele quando estamos na rua. Participei de várias manifestações ano passado e houve repressão, mas os poderosos tremeram nas bases. A história do Dia do Trabalhador é um ótimo incentivo para que continuemos a nos organizar, enquanto profissionais e cidadãos, pra conseguir o que queremos. Não podemos esperar que essa luz venha de cima.

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    1. Acredite, ainda há luta de classes. Mas os pobres já não sabem isso… lol Sou adepto da ideia de que não conhecer a história é condenar a si mesmo uma eternidade de reprises ruins… Vamos continuar a lutar e a mostrar tudo que precisa ser mudado. 🙂

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  2. Eu já fiz tantas reflexões sobre essa questão de patrão/empregados, de como nos vendemos para podermos sobreviver. Às vezes, e digo por experiência própria, nos pegamos trabalhando sem nem sabermos de verdade porque fazemos tal coisa e qual benefício real disso. Acabamos não aproveitando a vida, deixando tudo que traz felicidade real para depois e assim seguimos com o grilhão no pescoço com uma falsa ideia de felicidade e sucesso.

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    1. A tua reflexão é muito pertinente, Alexandre. Eu mesmo tenho vindo a lutar contra essa visão de que o “trabalho” é o mais importante, porque não é. Mas a ideia está tão arraigada que qualquer um que não gaste a maior parte do seu tempo dedicado a um trabalho qualquer é considerado “vagabundo”. Para não dizer que na prática, a maioria dos trabalhos realizados não tem como finalidade produzir nada de útil à sociedade… Apenas nos mantém “ocupados” e ajuda a manter a ilusão de que não há vida sem esse “trabalho”.

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      1. Esse é o problema, né? Até mesmo quando ficamos desempregados e temos tempo para fazermos o que quisermos, ao observar amigos e familiares trabalhando faz com que o efeito manada nos capte e nos deixe no instinto de “ter um emprego”. É bem complexo.

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