Porque eu gosto de água. Nada traz mais paz de espírito do que água. E poesia. Poesia brejeira, de preferência…

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A Água

Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da raspa
tira o cheiro a bacalhau rasca
que bebe o homem, que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho

Meus senhores aqui está a água
que rega rosas e manjericos
que lava o bidé, que lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber ás fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche e
lava a boca depois de um broche.

Manuel Maria Barbosa du Bocage


1Tenho tanta coisa, pra te falar… Mas falta tempo, que ganda azar…
E tenho tanto, de ti pra ler, mas sem o tempo, que vou fazer?
Rimas ruins, tão óbvio está… Mas eu sei rimar, eu chego lá!!!

2Ou não, pelos vistos… O.o
Acho que ainda não sou Bocage… xD

3As fotografias foram tiradas num maravilhoso dia de inverno no Jardim de Oeiras, em Oeiras, Portugal.