(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

Passeando pelo centro comercial, em direção à praça de alimentação, vê-se muita gente. E muita gente, bem… diferente? O pequenote vai um pouco mais à frente, divertido, sentindo o gosto da liberdade que pensa que tem, a apreciar a quebra na rotina que já é sua pequena vida.

E como todos antes dele, do alto dos seus 5 anos, quando algo lhe chama a atenção, tal é irresistível e já mais nada importa.

Não é difícil perceber isso, já que ele continua a andar, alheio à todos os detalhes irrelevantes como outras pessoas que tem de desviar dele para que possa continuar seu caminho, enquanto ele vai virando o rosto para manter os olhos fixos na mesma direção da única coisa que existe, para ele, neste momento.

Levo algum tempo a perceber para onde ele olha, mas finalmente fica claro. Numa ilha com poltronas, no meio do corredor, uma moça, solitária, espera sentada. É uma moça bonita, na casa dos 20 anos, “produzida”. Mas o que me chama a atenção e, penso eu, é o que chama a atenção do pequenote, é o cabelo. Liso, comprido, com madeixas loiras.

Quando já não é possível continuar a andar e olhar para a moça ao mesmo tempo (que afinal, não somos corujas), ele volta ao seu andar divertido, aparentemente já esquecido da moça.

— Filho, estavas a olhar para a moça?

— Sim!

— Chamou-te a atenção?

— Sim! Eu gosto dela.

Imediatamente, como que para se certificar que não entendemos errado, explica.

— Mas não é amor! Não é gostar como amor!

Eu e a mãe nos olhamos, assim mesmo, olhos esbugalhados, como a perguntar um ao outro “Mas que raio? Como assim?”. Mas ele não dá tempo para decidirmos o que estava acontecendo.

— Eu gosto da forma dela. Da forma. É gostar da Forma.

E faz assim um movimento de “forma” com as mãos que eu não consigo deixar de pensar que lembra por demais um violão…

Eu fico sem palavras. Continuamos andando e ele já nem se lembra da conversa, distraído com todas as outras pessoas, luzes e pequenos detalhes que ainda não deixaram de ser interessantes.

Cinco anos, penso eu. Cinco anos. Pra que raio queria eu saber de Báskaras e Hipotenusas, afinal? Deviam era ter me preparado para o que realmente interessa…

Every Little Thing She Does Is Magic
(The Police)

Though I’ve tried before to tell her
Of the feelings I have for her in my heart
Every time that I come near her
I just lose my nerve
As I’ve done from the start

Every little thing she does is magic
Everything she do just turns me on
Even though my life before was tragic
Now I know my love for her goes on

Do I have to tell the story
Of a thousand rainy days since we first met
It’s a big enough umbrella
But it’s always me that ends up getting wet

Every little thing she does is magic
Everything she do just turns me on
Even though my life before was tragic
Now I know my love for her goes on

I resolve to call her up a thousand times a day
And ask her if she’ll marry me in some old fashioned way
But my silent fears have gripped me
Long before I reach the phone
Long before my tongue has tripped me
Must I always be alone?

Every little thing she does is magic
Everything she do just turns me on
Even though my life before was tragic
Now I know my love for her goes on

(Every little thing she does is magic
Everything she do just turns me on
Even though my life before was tragic
Now I know my love for her goes on

Every little thing
Every little thing
Every little thing
Every little thing
Every little
Every little
Every little
Every little thing she does
Every little thing she does
Every little thing she does
Every little thing she does
Thing she does is magic

Eee oh oh…)

Every little thing
Every little thing
Every little thing she does is magic magic magic
Magic magic magic


1Baseado em fatos reais

2Anda por aí um artigo dizendo que a adolescência agora começa aos 10 anos… Ingênuos…