De novo e de novo e de novo…

A realidade é feita de um todo que está separado em infinitas partes.
E elas se juntam e se separam e vem e vão.
É a vida. É assim que a vida funciona. E a vida não se importa com você.
Ela apenas é. Assim. Caótica. Repentina. Insensível.
Busque ver a beleza da incerteza do que pode acontecer.
Aproveite o que de bom ela te traz.
Aprenda as lições que ela te der.
Aceite.
Viva.

Ciclos. Voltas. Nascimentos. E tudo começa outra vez…
(foto: Joana G. S. Morais)
Tracy Chapman – New Beginning

New Beginning

(Tracy Chapman)

The whole world’s broke and it ain’t worth fixing
It’s time to start all over, make a new beginning
There’s too much pain, too much suffering
Let’s resolve to start all over make a new beginning

Now don’t get me wrong I love life and living
But when you wake up and look around at everything that’s going down 
All wrong
You see we need to change it now, this world with too few happy endings
We can resolve to start all over make a new beginning

Start all over
Start all over
Start all over
Start all over

The world is broken into fragments and pieces
That once were joined together in a unified whole
But now too many stand alone There’s too much separation
We can resolve to come together in the new beginning

Start all over
Start all over
Start all over
Start all over

We can break the cycle – We can break the chain
We can start all over – In the new beginning
We can learn, we can teach
We can share the myths the dream the prayer
The notion that we can do better
Change our lives and paths
Create a new world

And Start all over
Start all over
Start all over
Start all over

The whole world’s broke and it ain’t worth fixing
It’s time to start all over, make a new beginning
There’s too much fighting, too little understanding
It’s time to stop and start all over
Make a new beginning

Start all over
Start all over
Start all over
Start all over

We need to make new symbols
Make new signs
Make a new language
With these we’ll define the world

And start all over
Start all over
Start all over
Start all over …


1Uma boa páscoa para quem celebra esta data. Bom descanso para quem dela pode aproveitar.

2E após o interregno, nos reinventamos, e recomeçamos.

3(EDIT) Para quem ficou curioso, o nosso pequenote está a ler “Pavor Espaciar”, uma Graphic MSP do Chico Bento (meu personagem preferido da Turma da Mônica), desenhada pelo Gustavo Duarte (uma entrevista dele sobre o trabalho aqui).

Cenas Bucólicas

Pois… Eu curto cenas bucólicas… Então resolvi pintar uma. Essa aqui é a segunda tentativa (a primeira foi sequestrada pelo meu pequenucho…).

Essa pintura foi feita em aquarela, e eu me baseei numa pintura feita à óleo, pelo meu pai, que trouxe comigo do Brasil, quando vim para Portugal.

Fica aqui entao o pequeno registo fotográfico do processo, desde o esboço até o resultado final.

Ainda tenho muito que melhorar, mas não encontrei uma “rotina” para poder estudar e praticar. Estou tentando.

Quando tiver novas pinturas, eu coloco aqui.

Eu & 5 de Portugal #7

O Passado…

O passado é um sonho que precisa ser sonhado. E cada sonho que sonhamos é diferente, porque o passado é um sonho que não se repete.
Eu sei. Temos medo do passado. É no passado onde estão os nossos fantasmas. Temos medo que eles nos vejam e voltem… E como crianças pequenas fechamos os olhos e nos escondemos debaixo das cobertas. Mas de olhos fechados o futuro não vem.
O passado é um sonho que precisa ser sonhado, porque são nossos sonhos que moldam o futuro. E o Futuro, sem sonhos, não tem razão de ser…

A porta convida. A luz convida. A noite convida. Entra…
Did you bring the carrots, little human?
Brinca como se não houvesse amanhã. Não há…
Miau!
Portugal… Verão. Ontem? Ou teria sido há 20 anos?

Constant Craving

K.d. Lang (interpretada por John Paul White)

Even through the darkest phase
Be it thick or thin
Always someone marches brave
Here beneath my skin

And constant
(Constant)
Craving
(Craving)
Has always
(Always)
Been

Maybe a great magnet pulls
All souls to what’s true
Or maybe it is life itself
That feeds wisdom to its youth

Constant
(Constant)
Craving
(Craving)
Has always
(Always)
Been

Craving
Ah, constant craving
Has always been
Has always been

Constant
(Constant)
Craving
(Craving)
Has always
(Always)
Been
Constant
(Constant)
Craving
(Craving)
Has always
(Always)
Been

Craving
Ah, constant craving
Has always been
Has always been
Has always been
(Has always)
Always been
(Has always)
Always been
Has always been
Has always been
Has always been


1Não. Não sei porque raios é que os burricos falam em Inglês…

2Não. Não sei porque raios é que os gatos falam em Miês…


O Maquiavélico Plano do Dr. No

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

Naquele sábado preguiçoso, os pais ainda tomavam o pequeno almoço, muito tranquilos, aproveitando o sol que entrava pelas janelas da sala.

O pequenote tinha desaparecido para o quarto fazia pouco tempo, e agora voltava, assim, de mansinho, com um enorme sorriso estampado no rosto, daqueles sorrisos malandros que já denunciam as intenções arteiras deste pequeno ser cheio de artimanhas.

Atrás das costas segurava o controle remoto da TV.

Quando chegou perto, disse, muito carinhoso e com aquele olhar de cachorro pidão:

— Ó paaaaaaaai, quero fazer uma partida.

O pai olha pra mãe sem entender, que devolve um olhar “não sei de nada, não me meta nisso”. Notando a confusão dos progenitores, o pequenote não esperou pela pergunta:

— Tira as pilhas, pai. Quero fazer uma partida pra vocês.

O pai e a mãe cairam na gargalhada.

Ainda enxugando as lágrimas, o pai tirou as pilhas, que o pequenote agarrou e correu para o quarto para esconder em sua caixa de brinquedos.

Ao voltar para a sala veio todo faceiro, muito contente com a partida que ia pregar aos pais quando estes tentassem usar o controle remoto da TV, pensando, certamente, na enorme surpresa que eles teriam…


1Baseado em fatos reais

2O aspecto mais delicioso da infância, para mim, é a ingenuidade…

3Por que do título? Sei lá… Gosto de James Bond. Tem um vilão chamado Dr. No, não tem? Acho que tem… Não? De qualquer maneira, esse “plano” me lembrou um vilão de James Bond, e se não tem um vilão chamado Dr. No, deveria haver! Nada mais ingênuo que um vilão de James Bond chamado Dr. No.

100, Livros & Mais…

Este é o centésimo post deste blog que eu amo.

Não é nada de especial, veja bem.
Mas pronto, é o de número cem.

Daí que eu resolvi deixar ele para o primeiro dia do ano.

Só porque sim.
Fim.


Como já é de praxe (para muitos outros, ouvi dizer), resolvi, para este ano, definir algumas metas. Cá vão elas!

  • Um post por semana aqui no blog (menos quando falhar)
  • Sair mais e fotografar mais (mas fotografar menos)
  • Fazer um curso de desenho e praticar mais a minha pintura com Aquarela
  • Ler um livro por semana (vixi…)

E pronto. Acho que já está de bom tamanho.


Para garantir que eu tenho alguma chance, por menor que seja, de ler um livro por semana, decidi fazer uma lista, por ordem, dos livros que irei ler (com possíveis alterações pelo meio do caminho, já vou avisando…). Provavelmente pelo menos um post por mês será sobre as minhas leituras efetuadas nesse mesmo mês.

Se você está curioso sobre a lista, não se preocupe. Ela está logo a seguir. Aproveite a banda sonora que eu escolhi para acompanhar a leitura da lista. Tudo fica melhor com música. E como não sei quanto tempo você vai levar para chegar ao final, eu escolhi uma banda sonora com 3 horas de duração, para você poder saborear com calma e tranquilidade cada título!

  1. Uma casa na escuridão (José Luís Peixoto).
  2. Os despossuídos (Ursula K. Le Guin)
  3. Por quem os sinos dobram (Ernest Hemingwai)
  4. O Homem Invisível (H. G. Wells)
  5. Pedagogia do oprimido (Paulo Freire)
  6. Como desaparecer completamente (André de Leones)
  7. Hoje está um dia morto (André de Leones)
  8. Os despojos do dia (Kazuo Ishiguro)
  9. As cidades invisíveis (Ítalo Calvino)
  10. Roadside picnic (Arkadis e Bóris Strugatski)
  11. Do androids dream of electric sheep? (Philip K. Dick)
  12. The illustrated man (Ray Bradbury)
  13. Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)
  14. Rei rato (China Miéville)
  15. A ilha (Aldus Huxley)
  16. A guardiã da memória (Gerson Lodi-Ribeiro)
  17. A última expedição (Olívia Maia)
  18. Por vós lhe mandarei embaixadores (Jorge Candeias)
  19. The demolished man (Alfred Bester)
  20. Martian time-slip (Philip K. Dick)
  21. A obra ao negro (Marguerite Yourcenar)
  22. O leitor do comboio (Jean-Paul Didierlaurent)
  23. O Vento norte (Cláudio Villa)
  24. Something wicked this way comes (Ray Bradbury)
  25. Campo Total (Carlos Orsi)
  26. História Universal da Infâmia (Jorge Luís Borges)
  27. Reino do Amanhã (J. G. Ballard)
  28. Terrarium (João Barreiros e Luís Filipe Silva)
  29. Neuromancer (William Gibson)
  30. Guia prático para cuidar de demônios (Christopher Moore)
  31. Uma breve história da economia (Niall Kishtainy)
  32. Contos completos e outros textos (Marcel Proust)
  33. Contos de Ambrose Bierce (Ambrose Bierce)
  34. Os Transparentes (Ondjaki)
  35. Platero e eu (Juan Jamón Jimenez)
  36. Estação onze (Emily St. John Mandel)
  37. O encontro (Fritz Leiber)
  38. Matadouro cinco (Kurt Vonnegut)
  39. Vermilion sands (J. G. Ballard)
  40. The time machine (H. G. Wells)
  41. O que se vê da última fila (Neil Gaiman)
  42. The big book of science fiction (Jeff VanderMeer e Ann VanderMeer)
  43. Monalisa overdrive (William Gibson)
  44. Zoe’s Tale (John Scalzi)
  45. The books of EarthSea (Ursula K. Le Guin)
  46. Minha Besta (Christopher Moore)

Agora você deve estar se perguntando: Mas essa besta não sabe contar? Um ano tem 52 semanas, não 46!

Sim, é verdade. Mas eu tenho mais alguns livros na calha, que vou ler ao mesmo tempo que os outros (sim, eu consigo), que são digitais (os da lista acima são todos livros físicos). Além disso, o Big Book Of Science Fiction e o The Books of EarthSea tem cada um umas 1000 páginas…

Com exceção do livro do Borges, eu já tenho todos os outros livros da lista…

E para o primeiro dia do ano, e para o post de número 100, é isso aí!
Um grande abraço!

O País do Futuro

Eu estou há meses para escrever este texto.
E agora que eu comecei, a única certeza que eu tenho é que uma dúvida atroz assola minh’alma.

Em menos de uma semana, o Brasil irá decidir quem será seu presidente para o próximo mandato de 4 anos (2019-2022). Curiosamente, a escolha recai sobre os dois candidatos com maior rejeição que concorreram. Com metade da população dizendo “PT NUNCA MAIS” e a outra metade dizendo “#ELENÃO”, a polarização tornou-se absoluta.

Eu poderia tecer minhas considerações sobre cada um deles, mas não farei isso. Não é medo ou coisa parecida. Tenho minhas convicções e não me envergonho delas. Eu já decidi meu voto. Eu tomei um lado. Eu tenho minhas razões. Mas criticar um ou outro, agora, seria praticamente inútil.

Depois de meses participando de discussões sem fim em outras redes, fica óbvio para mim que, à exceção de uns poucos que ainda estão indecisos, não serão argumentos éticos ou técnicos que irão mudar o que vai acontecer. E provavelmente nunca esteve realmente em nossas mãos. Faltando tão poucos dias para a decisão, apenas os próprios candidatos podem decidir o que quer que seja. Portanto, eu deixo isso para eles, e para quem ainda tem pachorra pra isso.

Mas eu gostava de deixar cá uma reflexão.

O Brasil é grande. O Brasil é imenso. E no Brasil há muita gente. E o Brasil é muito complexo. E o Brasil não está sozinho no mundo. O Brasil é enorme, mas ainda é só um país confuso e complexo, com muita gente com pouca instrução e muito preconceito. O Brasil é um país pequeno no mundo, e depois de crescer muito, está se tornando cada vez mais pequeno novamente.

Lembre-se disso quando você for votar em um ou em outro, com a esperança de que o seu candidato vai mudar o país, que vai trazer mais empregos, que vai moralizar a política, que vai acabar com os “inimigos da pátria” e trazer a paz e os bons constumes de volta.

Ele não vai.

E o Brasil vai continuar sendo o país do futuro, enquanto você continuar buscando um salvador da pátria a cada quatro anos… E ao que parece, esse futuro é sombrio.

Porque o Brasil é o que você faz dele. E é o que faz com ou contra os outros que também são Brasileiros.

Deixo aqui uma música que embalou minha adolescência, e que continua um retrato fiel do país…

Que País É Esse?
(Legião Urbana)

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

No Amazonas, no Araguaia iá, iá
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, Minas Gerais
E no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?


1Passei os últimos meses acompanhando as eleições no Brasil, e no último mês estive fora de casa, a trabalho. Por isso peço desculpas por ter meio que desaparecido das redes e de acompanhar os meus amigos aqui no WordPress e no Blogger. Já estou conseguindo normalizar as coisas. Nada como as eleições chegarem ao fim… 😉 hehe

O meu dia da criança…

Happiness Does Not Wait

(Olafur Arnalds)

 


Querer

Eu tive mãe. E eu tive pai.
Eu fui criança e ainda seria.
Toda feliz e despreocupada.
Mas eles aqui já não estão mais.

Meu pai partiu quando eu fui embora.
Ele disse à minha mãe que era pra sempre.
Ainda lembro do rosto dele na rodoviária.
Eu disse adeus e nem sabia.

Minha mãe partiu algum tempo depois.
A cama vazia não enchia o coração dela.
Foi embora assim devagarinho.
Um pouquinho todo dia.

Mas eu tive mãe e tive pai.
E nesse dia, tudo o que eu queria.
Era ter eles aqui, pra voltar a ser criança.
Nem que fosse só uma vez mais.

Jauch

du05


Eu tinha tanta coisa pra dizer… Mas essa dor no peito e os meus olhos marejados não deixam. Fica isso que consegui escrever por entre as gotas de chuva que cairam do meu peito. Que eu queria contar-te do meu querer. E agora só me resta adormecer, e sonhar com quando eu tinha pai e tinha mãe, e voltar a ser criança…

Um Beija-Flor chamado Mariposa

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

Foi o pequenucho quem viu primeiro.

— Olha! Um Beijia-Flor!

E lá fomos nós à caça do bichinho.

Voava de lá para cá numa dança frenética, indo de flor em flor como quem não sabe qual beijar primeiro. Batia as asas tão rápido que mal se apercebia sua cor: um laranja meio acastanhado.

— Como é que sabes que é um Beija-flor, filho? Já viste algum?

A pergunta, feita pela mãe bióloga, tinha razão de ser. Não há colibris (beija-flor) em Portugal. Pelo menos não “naturais” de Portugal, que sempre alguém pode ter trazido um e deixado escapar por aqui…

— Porque ele tem um bico fininho, assim! — E faz o gesto de bico fininho à frente da boca.

O pai vai à “caça” do pequeno pássara que continua a voar por ali, alheio à presença daqueles humanos, o que por si só já é algo esquisito. Quem conhece um Beija-flor sabe que eles não são de dar trela para as pessoas… É preciso muita água com açúcar para ganhar-lhes a confiança.

Apesar de todo o esforço, o pai não consegue fixar-lhe o olhar. Entretanto, realmente parece um beija-flor. Muito pequenucho, talvez do tamanho de um besouro qualquer, mas bastante menor que um pardal. Por fim, sentencia:

— Bom, parece mesmo um Beija-flor, mas nunca vi um tão pequenino, nem com essas cores…

— Quando chegarmos em casa procuramos no livro das Aves de Portugal para ver se há alguma coisa… Pode ter havido alguma mudança, não sei… — A verve de bióloga não deixava a mãe completamente à vontade com a ideia de colibris em Portugal, mas ainda estava radiante por ter visto um.

Os três, pai, mãe e filho, vão embora todos felizes por terem visto um colibri, mas ainda com a pulga atrás da orelha…

Já de noite, em casa, o pai vai à cata de encontrar que raio de Beija-flor era aquele. E a internet não o deixa sem resposta. Calha que não era uma ave, mas uma mariposa, chamada mesmo de Mariposa-Colibri, pelas semelhanças não apenas físicas, mas também na forma como bate as asas e voa…

E lá vão os três a soltar um grande ‘Ah’…

E a alegria de ter visto um colibri foi substituída pelo espanto de descobrir (e ter visto) uma mariposa que se fazia passar por um…


1Podem ver mais aqui sobre estas mariposas (em espanhol). A fotografia que enfeita este post foi retirada dessa página, e mostra com bastante detalhe o que vimos.

2Baseado em fatos reais

Nada.

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

O pequeno café estava vazio. O sol atraira a maioria dos seus frequentadores para a praia. Estava agradável assim. Tranquilo. Sem barulho. Sem tumulto.

Sentados à mesa perto da grande janela, no canto, tinhamos uma boa visão do parque infantil no pequeno jardim em frente ao mercado da vila. Ele também estava tranquilo, debaixo das grandes árvores que ensombreiam todo o jardim.

O pequenote acabou de fechar seu caderno de desenhos e começou a atacar a sua merenda. Já passava das 9:00 e ele tinha fome. Mas só o fez depois de terminar o seu desenho. Faz um de cada vez que vamos tomar o pequeno almoço fora. Já é tradição.

A senhora dona do café aproxima-se da mesa. Vem sempre nos cumprimentar e meter-se com o pequenote, que conhece desde que nasceu.

— Então? Bom dia! Como vai isso?

— Bom dia.

O pequenote respondeu sem tirar os olhos da merenda. Mas a senhora não desiste. Sorrimos. É já quase um ritual.

— E hoje não há desenho?

— Já fiz.

— Ah… E olha lá, já sabes o que vai ser quando crescer?

— Já.

— Então, e o que é que vais ser quando crescer?

— Nada.

Segue-se um minuto de silêncio involuntário pela resposta inusitada, em que nós os três, pai, mãe e senhora, paramos para observá-lo tentanto perceber o que significava aquela resposta. A senhora acaba por quebrar o silêncio.

— Nada? Como assim “nada”?

— É que eu não quero crescer.


1Quem diria… Tão jovem e já sabe o que quer? (Ou o que não quer).

2No fim, se todos nós mantivéssemos o espírito da criança que fomos dentro de nós, o mundo seria um lugar muito melhor…

3Baseado em fatos reais…

Indicações #5

O Adail (Ideias em Blog), indicou-me para o The Sunshine Blogger Award (Obrigado Adail!!!). Para quem não sabe, essas indicações servem, tipicamente, para dois fins: Dar a oportunidade de conhecermos um pouco mais sobre a pessoa indicada, bem como nos dar a oportunidade de apresentar ao pessoal que nos acompanha alguns blogs que achamos que vale a pena (uma amostra, dentro do universo de blogs que achamos que vale a pena).

O Adail tem um blog rico e diverso, com textos sobre os mais diversos assuntos, como tecnologia, natureza, comportamento, etc. Vale a pena acompanhar. Eu acompanho. Também vale a pena ver as respostas que ele deu às perguntas que foram feitas a ele, aqui.

Então, aqui vai.

sunshine-blogger-award1

A premiação envolve uma demonstração de seu reconhecimento para com o trabalho de outros blogueiros assim como a promoção de interações com esses blogs. Cada envolvido precisa seguir quatro regras básicas:

Agradecer a quem te indicou;
Colocar as regras e incluir o logo do prêmio no post;
Responder 11 perguntas feitas pelo nomeador;
Nomear 11 blogs e fazer-lhes 11 perguntas.

Agora vamos às perguntas que me foram feitas pelo Adail, com suas respectivas respostas:

1- Qual foi a sua primeira opção de plataforma quando pensou em criar um blog? O que lhe chamou mais atenção?

Eu tenho “blogs” desde os primórdios da Internet pública no Brasil, quando ainda usávamos modens e uma linha discada de telefone para nos conectarmos com o mundo (sim, já não sou assim novinho como pareço… rs). Já não me lembro bem da primeira plataforma que eu usei, mas o provedor deixou de existir não muito depois de eu arranjar um espaço por lá. Era algo parecido com o GeoCities, que também já não existe (e onde eu também tive um espaço). Porque é que foi que eu escolhi aquela plataforma que já nem lembro o nome? Bom, na altura, a gente achava um lugar e agarrava… O “mundo” era muito menor, então… Usei muito tempo o Blogger/Blogspot, onde tive vários blogs, em diferentes épocas. Tive blogs hospedados em provedores, onde eu alugava o espaço. E mais de uma vez tive blogs no WordPress (onde mantenho o meu atual).

Já quanto ao que me chamou a atenção em cada um deles? À exceção dos provedores, em que o que eu buscava era controle total sobre o meu “espaço”, todos os outros espaços para publicação me atrairam pelo mesmo motivo. A comunidade que lá estava.

Em verdade, sou um ser solitário, focado quase que exclusivamente na minha família. Detesto sair sem a minha senhora e o meu filhote, e raramente o faço. Mas ainda sou humano, e a necessidade de contato com outras pessoas, de conhecer o que elas pensam e sentem, de interagir a esse nível mais abstrato, de descobrir o novo, o inusitado, o comum e corriqueiro, tudo isso eu faço quase que exclusivamente online. É essa comunidade que me atrai. No blogger, eu adorava a barra na parte de cima do blog, onde eu conseguia navegar para novos blogs, de forma aleatória. No WordPress, eu gosto do Reader, que além de me manter a par das novas publicações, me apresenta algumas sugestões de tempos em tempos.

2- Você está satisfeito(a) com o WordPress? Por quê?

Sim. E não. Eu sou um eterno insatisfeito. Estou sempre pensando em como as coisas podem ser melhoradas. De fato, estou sempre à procura de algo novo, de uma plataforma mais interessante, com novas ferramentas, com novas formas de interagir, principalmente. Eu gosto da comunidade que encontrei aqui, no WordPress, mas confesso que acho a plataforma um pouco limitada em termos de conectividade… 
Quem sabe eu não crio uma plataforma que efetivamente ajude a conectar as pessoas?
Algo descentralizado, verdadeiramente democrático. Há alternativas, mas a maioria precisa de um certo “expertise” para poder operar. E se conseguíssimos criar algo verdadeiramente “simples”? É uma ideia? Era fixe…

3- Por que quis criar um blog? Sempre teve essa vontade?

Sim. Desde que eu fui apresentado ao conceito de BBS (que veio antes da internet pública, no Brasil), eu senti o potencial para compartilhar, para democratizar a voz de todos. E desde o início que eu navego por esse mar caótico que é a www.

4- O que você mais gosta em seu blog?

De poder conversar, com quem aqui vem, sobre os assuntos que me interessam, e sobre os quais eu publico, além de poder compartilhar os meus trabalhos artísticos com quem quer que se interesse por eles.

5- Consegue postar com frequência?

Sim. E não. Eu tenho fases em que eu estou de bem com a vida e publico com frequência. E depois eu tenho uma fase, já perto de completar um ano desde as minhas últimas férias, em que estou tão cansado que, apesar de todas as ideias e coisas que tenho para compartilhar, não tenho energia para o fazer. Tipicamente por volta de Maio a Junho eu praticamente deixo de publicar, e depois das férias (ou quando essas se aproximam), volto a ter energia e recomeço.

Por exemplo, só agora começo a sair da fase em que já não tinha energias para absolutamente nada…

6- Quais tipos de conteúdos gosta mais de abordar?

Bom… O meu blog é um blog pessoal, não temático, por isso sinto que tenho liberdade para publicar sobre qualquer coisa que me dê na telha… E assim o faço. Mas a verdade é que a maior parte dos meus artigos / posts são pequenos contos, poesias, alguns textos mais pessoais de opinião sobre alguma coisa que tive vontade de escrever. Mas vais encontrar outras coisas aqui, de certeza, como músicas e desenhos e aquarela e aikido e tudo o mais que me dê na telha falar sobre…

7- Você interage muito com outros blogueiros?

Sim. É disso que eu gosto. Mas a verdade é que não é fácil. Acabamos ficando muito nos comentários sobre o que o outro publicou. Ainda assim, eu acabo, cedo ou tarde, por transformar um comentário em um chat… rs

8- O que acha bacana quando lê posts de outros blogs?

Em primeiro lugar, que o texto seja pessoal. Dou preferência para textos / posts em que a pessoa está se expondo, não necessariamente falando algo sobre ela, mas em que é possível discernir sua essência naquilo que ela torna público. Isso é o que mais me atrai em um post. Daí gostar de ler poesias, contos, textos de opinião, posts em que a arte ou a vida de uma pessoa é compartilhada, mais do que textos/posts puramente informativos.

9- Como é a elaboração de suas postagens? Segue algum tipo de “ritual”?

Acho que não. Cada coisa que eu compartilho aqui “aconteceu” de uma maneira diferente. Levou seu tempo a ser matutada. Algumas eu escrevi no papel primeiro, outras no computador. Algumas levaram anos para serem compartilhadas, outras eu sentei , escrevi e compartilhei imediatamente. Algumas eu tento dar um tom leve ou humorístico, algumas eu tento ser denso… Tudo sai do jeito que calha na altura…
Não ter um ritual é um ritual?

10- Que tipo de música gosta de escutar? Indique uma para os seus amigos blogueiros.

Ah… A música é parte absolutmente necessária da minha vida. Se não pudesse ouvir, talvez eu enlouquecesse… Talvez por isso, não tenha um “tipo” de música que eu goste de escutar. Eu gosto de música. O que eu escuto depende do meu estado de espírito.

Vou deixar aqui uma música que eu gosto imenso, da Luísa Sobral, chamada João. Será que vocês conseguem descobrir as razões pelas quais eu escolhi essa música? 🙂

João
(Luisa Sobral)

Eu saio da escola sempre à mesma hora
E vejo o João que sai também
Já me fiz de distraída, sorri meio atrevida
Mas o João da C finge que não vê

Todas na escola gostam do João
Propõem namorar num papel com sim ou não
Sei que é difícil com tanta escolha assim
Que vai fazer o João gostar de mim?

Sou a mais bonita e nunca sou escolhida
Quando fazem equipas para o futebol
Se alguém fica doente entro para suplente
Fico sentadinha a apanhar sol

Todas na escola gostam do João
Propõem namorar num papel com sim ou não
Sei que é difícil com tanta escolha assim
Que vai fazer o João gostar de mim?

Todas na escola gostam do João
Propõem namorar num papel com sim ou não
Sei que é difícil com tanta escolha assim
Que vai fazer o João gostar de mim?

O João olhar para mim
O João gostar de mim
Ele está a olhar para mim

11- Qual o seu gênero favorito de filme?

Ah! Finalmente uma fácil!!!! Ficção Científica, claro!!!! Ou não seria eu um aquariano típico 😉 hahahaha

Os nomeados para responder às minhas perguntas e continuarem a brincadeira (caso queiram, foram escolhidos, a maioria, entre blogs que encontrei recentemente, e todos ligados diretamente à arte da escrita (de uma maneira ou de outra).

E estes foram os 11 convidados para essa brincadeira 🙂
Agora, vamos ao mais difícil: As perguntas! E ainda por cima são 11, ó vida… xD

  1. Se você se deparasse com um anão de jardim, sentado à frente da porta da sua casa, com um ar assim de quem comeu e não gostou, o que você perguntaria para ele?
  2. Por falar em comer, já comeu Focaccia? Estaria disposto/disposta a experimentar?
  3. Qual foi a frase/ditado mais idiota que você já ouviu?
  4. Você também acha que os polvos são alienígenas que caíram na terra há milhões de anos e que regrediram para um estado mais primitivo porque não tinham escolas adequadas nem ferramentas para transmitir seus conhecimentos para as gerações futuras? Por quẽ?
  5. De todos os sonhos que você tinha dez anos atrás, quais você inda persegue?
  6. Neste exato momento, se você não tivesse outra escapatória, o que você escolheria? Verdade ou consequência?
  7. Qual é a sua maior dúvida existencial de todos os tempos, neste instante?
  8. Cite uma cidade que você quer conhecer e o porquê dessa cidade em específico. Espera. Isso não é uma pergunta. Então lá vai: Se você tivesse que escolher uma única cidade para conhecer, qual seria e por quê?
  9. Alienígenas dominaram o mundo e disseram para você escolher qualquer trabalho que você queira, mas vais ter de realizar esse trabalho para o resto da vida. Não podes falar com ninguém antes de decidir. Se não decidir, vão desintegrar você. Tens 5 minutos para decidir. Então? Qual será o trabalho?
  10. Tens algum preconceito? (Não precisas dizer qual) Tens feito alguma coisa para libertar-se desse fardo? (Não precisa de responder essa).
  11. Qual é a pergunta que você gostaria que eu tivesse feito, e qual a resposta para essa pergunta?

Espero que tenham gostado. Se não gostaram, não faz mal. C’est la vie.
Um abraço e até breve!


1É feriado. E eu gastei umas horas para fazer isso… Vou te cobrar por hora, Adail! haha!