O Maquiavélico Plano do Dr. No

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

Naquele sábado preguiçoso, os pais ainda tomavam o pequeno almoço, muito tranquilos, aproveitando o sol que entrava pelas janelas da sala.

O pequenote tinha desaparecido para o quarto fazia pouco tempo, e agora voltava, assim, de mansinho, com um enorme sorriso estampado no rosto, daqueles sorrisos malandros que já denunciam as intenções arteiras deste pequeno ser cheio de artimanhas.

Atrás das costas segurava o controle remoto da TV.

Quando chegou perto, disse, muito carinhoso e com aquele olhar de cachorro pidão:

— Ó paaaaaaaai, quero fazer uma partida.

O pai olha pra mãe sem entender, que devolve um olhar “não sei de nada, não me meta nisso”. Notando a confusão dos progenitores, o pequenote não esperou pela pergunta:

— Tira as pilhas, pai. Quero fazer uma partida pra vocês.

O pai e a mãe cairam na gargalhada.

Ainda enxugando as lágrimas, o pai tirou as pilhas, que o pequenote agarrou e correu para o quarto para esconder em sua caixa de brinquedos.

Ao voltar para a sala veio todo faceiro, muito contente com a partida que ia pregar aos pais quando estes tentassem usar o controle remoto da TV, pensando, certamente, na enorme surpresa que eles teriam…


1Baseado em fatos reais

2O aspecto mais delicioso da infância, para mim, é a ingenuidade…

3Por que do título? Sei lá… Gosto de James Bond. Tem um vilão chamado Dr. No, não tem? Acho que tem… Não? De qualquer maneira, esse “plano” me lembrou um vilão de James Bond, e se não tem um vilão chamado Dr. No, deveria haver! Nada mais ingênuo que um vilão de James Bond chamado Dr. No.

Amor? Forma!

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

Passeando pelo centro comercial, em direção à praça de alimentação, vê-se muita gente. E muita gente, bem… diferente? O pequenote vai um pouco mais à frente, divertido, sentindo o gosto da liberdade que pensa que tem, a apreciar a quebra na rotina que já é sua pequena vida.

E como todos antes dele, do alto dos seus 5 anos, quando algo lhe chama a atenção, tal é irresistível e já mais nada importa.

Não é difícil perceber isso, já que ele continua a andar, alheio à todos os detalhes irrelevantes como outras pessoas que tem de desviar dele para que possa continuar seu caminho, enquanto ele vai virando o rosto para manter os olhos fixos na mesma direção da única coisa que existe, para ele, neste momento. Continuar lendo “Amor? Forma!”