Leiturtugas #4

Semana passada eu acabei não conseguindo colocar o meu post sobre as minhas Leiturtugas. Mas cá está ele. E vamos a isso que já se faz tarde!

Minhas Leituras

Humanus (Vários)

Esta coletânea de histórias em banda desenhada (quadrinhos), da editora Escorpião Azul, reúne 33 histórias de 37 autores.

São autores de estilos muito distintos, de um modo geral, alguns com uma qualidade bastante grande, outros que não me parecem grande coisa (mas lá está, não sou profissional de quadrinhos, e posso estar sendo injusto).

Gostava aqui de deixar uma menção especial a algumas que me agradaram especialmente, seja pelo aspecto gráfico, seja pelo roteiro, seja por ambos:

  • Sacred Monster (Rui Lacas)
  • Avocado-Man (Fábio Veras)
  • A Última Bala (Rafael Sales)
  • Simão Santos – O Homem que enganou o Diabo (Patrik Caetano & André Mateus)
  • Verdade da Mentira (Álvaro)
  • Mortos não Dançam (Paulo Monteiro)

Minha avaliação: 2/5 (indiferente)

O Cão (Isabel Cristina Pires)

O Cão é um pequeno conto de Isabel Cristina Pires, que faz parte da coletânea Antologia de Ficção Cietífica Fantasporto.

Bem escrito, a história se passa em um outro planeta, sendo que as personagens principais são a D, uma cientista, e o “Cão”, que é o nosso narrador. A história só funciona porque estamos a falar de literatura. Dificilmente funcionaria em BD ou na tela, sob pena de facilmente entregar o fim da história.

Acontece que essa é aquele tipo de história onde o fim tem que fazer o leitor revisitar os eventos e detalhes da história dizendo “aaahhhhhh…”. Tenho uma história (micro conto) que usa esse recurso: Manuela não acreditava no amor. Mas aqui isso só funciona parcialmente, porque há determinados detalhes que são um pouquinho difíceis de engolir.

Ainda assim, não deixa de ser uma história curiosa.

É uma história de Ficção Científica? Sim, mas a FC aqui é praticamente só o pano de fundo da história. Podia ser melhor…

Minha avaliação: 3/5 (gostei)


1E por hoje é só. Mas já há mais leituras para a semana que vem!

Leiturtugas #2

E lá se passaram muitos meses desde que fiz o primeiro Leiturtugas. Em verdade, isto aqui anda parado. Não por falta de material, mas por falta de algo que ainda não percebi bem. Ânimo? Não dá para dizer que seja tempo… Enfim.

Faz tempo que não publico nada e já se passaram muitos meses, com várias leituras, entretanto, isso aqui pode ser mais curto do que deveria…

Mas cá estamos novamente, então vamos a isso! 😀


Minhas Leituras

Terrarium (João Barreiros & Luís Filipe Silva)

A edição que eu li é revisão feita para a comemoração dos 20 anos de lançamento da obra.

Trata-se de uma grande aventura de ficção científica, que se passa maioritariamente no planeta Terra em em sua órbita. Na realidade, pode-se pensar que são várias histórias “entrelaçadas”, sendo que a costura é feita por algumass poucas personagens.

O que pode acontecer quando uma frota de naves de muitas culturas diferentes chega à terra? Exilados e vigiados por uma outra raça, os visitantes acabam por ser forçados a conviver com os humanos. Uma convivência forçada e tensa que dá o mote para esse épico.

A narrativa é muito interessante, e a história é muito bem escrita, conseguindo manter o interesse ao longo de todo o livro, à medida em que vai descortinando os fatos aos poucos, com cada nova “história”.

Vale a pena ler? Sim. Aliás, se você não leu, não sabe nada sobre ficção científica portuguesa, na minha opinião.

Minha avaliação: 4/5 (Gostei Muito)

Na Crista da Onda (Luís Filipe Silva)

Este conto, integrante da coletânea Space Ópera, tem uma premissa muitíssimo interessante, e que eu só consegui perceber já ia adiantado na leitura. Talvez tenha sido falha minha, mas me pareceu proposital.

Uma história em que o roteiro se sobrepõe às personagens, que já ficaram esquecidos na minha memória. Tenho pena, pois acho que a história poderia ter sido melhor aproveitada. Mas isso sou eu e o autor (ou qualquer outra pessoa), não tem que concordar comigo.

Ainda assim, é um conto que acho que vale a pena ser lido.

Principalmente porque o final é pouco convencional, na minha opinião.

Minha avaliação: 3/5 (Gostei)

O Mandarim (Eça de Queirós)

Esse conto de Eça tem um aspecto “fantástico”, que parece ter sido muito criticado na época de sua publicação.

A leitura foi sugerida pelo José Geraldo Gouveia, do blog Letras Elétricas, para um grupo de discussão literária que fazemos parte, como uma leitura que viria no sentido de conversarmos principalmente sobre “super interpretações”. Foi uma discussão muito interessante.

É uma leitura difícil, no sentido em que esta edição mantém o texto muito próximo do original, ao que parece. Li uma versão digital, comprada na loja Kobo, o que me facilitou a vida, por conta do dicionário embutido. Há ali uma quantidade bastante grande de palavras que me eram desconhecidas. Foi uma leitura muito instrutiva, neste sentido.

A história, que trata, a princípio, de uma crítica à ganância, acabou por mostrar um outro lado (será que é uma super interpretação?) que seria uma verdadeira crítica ao colonialismo Português e não só.

Recomendo? Sim. Mas prepare o dicionário…

Minha avaliação: 4/5 (Gostei Muito)


Outras Leiturtugas

A Recriação do Mundo (Luís Corredoura) – Comentário no Intergalactic Robot

Somos Felizes (Sara Farinha) – Comentário no Mais que um blog de literatura

Arrábida 8 (Pedro G. P. Martins) – Comentário no Mais que um blog de literatura


Tenho outras leituras Portuguesas para o Leiturtugas. Ficam para a semana.

Terra Verde & Selva Brasil

Terra Verde e Selva Brasil são 2 de 3 “textos longos” de ficção científica, como descrito no posfácio do primeiro pelo autor, Roberto de Sousa Causo, escritos na década de 90. O terceiro é O Par: Uma novela Amazônica, que ainda não tive a oportunidade de ler. Os 3 livros são ambientados na Amazônia.

Selva Brasil é um exercício muito interessante de “Realidade Alternativa”, principalmente porque as personagens principais não possuem um impacto indiscutível na realidade do mundo ficcional criado por Causo. Elas estão lá. Não vão salvar o mundo. Não vão mudar o curso da história (ou pelo menos não há certeza de o conseguirem). Apenas fazem parte da teia que é a vida e fazem o melhor que podem diante da estranheza que se lhes apresenta e que dá mote à história. No fundo, o indiscutível aspecto principal, a realidade alternativa, é só uma personagem menor, ainda que seja a causa dessa mesma estranheza que as personagens enfrentam.

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