Nada.

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

O pequeno café estava vazio. O sol atraira a maioria dos seus frequentadores para a praia. Estava agradável assim. Tranquilo. Sem barulho. Sem tumulto.

Sentados à mesa perto da grande janela, no canto, tinhamos uma boa visão do parque infantil no pequeno jardim em frente ao mercado da vila. Ele também estava tranquilo, debaixo das grandes árvores que ensombreiam todo o jardim.

O pequenote acabou de fechar seu caderno de desenhos e começou a atacar a sua merenda. Já passava das 9:00 e ele tinha fome. Mas só o fez depois de terminar o seu desenho. Faz um de cada vez que vamos tomar o pequeno almoço fora. Já é tradição.

A senhora dona do café aproxima-se da mesa. Vem sempre nos cumprimentar e meter-se com o pequenote, que conhece desde que nasceu.

— Então? Bom dia! Como vai isso?

— Bom dia.

O pequenote respondeu sem tirar os olhos da merenda. Mas a senhora não desiste. Sorrimos. É já quase um ritual.

— E hoje não há desenho?

— Já fiz.

— Ah… E olha lá, já sabes o que vai ser quando crescer?

— Já.

— Então, e o que é que vais ser quando crescer?

— Nada.

Segue-se um minuto de silêncio involuntário pela resposta inusitada, em que nós os três, pai, mãe e senhora, paramos para observá-lo tentanto perceber o que significava aquela resposta. A senhora acaba por quebrar o silêncio.

— Nada? Como assim “nada”?

— É que eu não quero crescer.


1Quem diria… Tão jovem e já sabe o que quer? (Ou o que não quer).

2No fim, se todos nós mantivéssemos o espírito da criança que fomos dentro de nós, o mundo seria um lugar muito melhor…

3Baseado em fatos reais…

E o orgulho?

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

E lá estávamos nós os três, a passear no parque, quando o pequenote vê o anfiteatro a céu aberto. Imediatamente dispara:

— Papá, mamã! Vocês sentam que eu vou fazer um espetáculo!

A mãe já corre avisar que ela não vai fazer espetáculo nenhum, ao que o pai concorda e diz que hoje ele também vai só assistir (o pequenote tem a mania que tudo que ele faz todo mundo acha divertido e tem de fazer também). Continuar lendo “E o orgulho?”

Amor? Forma!

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

Passeando pelo centro comercial, em direção à praça de alimentação, vê-se muita gente. E muita gente, bem… diferente? O pequenote vai um pouco mais à frente, divertido, sentindo o gosto da liberdade que pensa que tem, a apreciar a quebra na rotina que já é sua pequena vida.

E como todos antes dele, do alto dos seus 5 anos, quando algo lhe chama a atenção, tal é irresistível e já mais nada importa.

Não é difícil perceber isso, já que ele continua a andar, alheio à todos os detalhes irrelevantes como outras pessoas que tem de desviar dele para que possa continuar seu caminho, enquanto ele vai virando o rosto para manter os olhos fixos na mesma direção da única coisa que existe, para ele, neste momento. Continuar lendo “Amor? Forma!”

João, o Perdido

O João?

“Um perdido”, diria “seu” José, pai de João, sem nem mesmo tirar os olhos do seu jornal. Não que fosse fácil. Tirar os olhos do jornal, digo eu, porque essa era mesmo a fama de João.

Acontece que João ganhou fama muito cedo. Logo aos 7 anos, seus pais perderam o filho no supermercado. Encontraram-no no lugar mais óbvio, o corredor dos brinquedos.

Lá estava ele, olhando para as caixas de brinquedos perdido num mundo de faz de conta, sonhando acordado. Seu sonho tinha algo a ver com uma cidade em miniatura, um navio pirata, água pela cintura e um monstro marinho gigante, que por um destes motivos inexplicáveis da vida, era a cara do irmão mais novo do seu vizinho. E berrava como ele.

João tinha muito potencial e sua fama não parou de crescer.

Continuar lendo “João, o Perdido”

Abadom & Baphomet – O Baile

Em um canto escuro do inferno, vários demônios, cada um com uma máscara mais espalhafatosa do que a outra, discutiam acaloradamente quem seria o vencedor do campeonato de luta mexicana. Entre goles de cerveja quente, piadas infames, risadas demoníacas e apostas nesse ou naquele lutador, quase não ouviram o telefone tocar. Baphomet atendeu a chamada e enquanto escutava a ladainha, começou a fazer zapping na televisão, com o claro intuito de irritar os outros. Enquanto se protegia da chuva de copos de papel e pipoca que resultara da sua marotice, entrou um dêmonio carregando um engradado de cervejas. Com um sorriso malicioso e todo divertido, Baphomet lança a notícia:

— É pra você, Abadom.

Abadom revira os olhos e solta um grunhido ameaçador. Com um longo suspiro larga o engradado de cervejas no chão e desaparece para atender o chamado, antes de Baphomet conseguir avisá-lo.

Continuar lendo “Abadom & Baphomet – O Baile”

Versatile Blogger Award

Os “prêmios” no universo dos blogs são uma forma engraçada de fazer duas coisas: Indicar outros blogs que nos chamam a atenção e, ao mesmo tempo, dar um pouco mais de visibilidade ao nosso próprio.

A Renata, do blog Mulheres e Mentes indicou o meu blog como um dos preferidos nela, no prêmio “Versatile Blogger Award”. Eu agradeço imensamente a indicação. Na lista de 6 blogs que ela mencionou (podes ver o post aqui), eu sou o único ser humano do sexo masculino presente. Isso é um privilégio e, espero, uma indicação de que eu estou no caminho certo e não deixo que os impulsos machistas, com que a sociedade tentou me moldar ao longo dos últimos 40 anos, prevaleçam sobre a minha capacidade crítica e capacidade de expressão.

Continuar lendo “Versatile Blogger Award”

Desafio trinta dias (em um)

Através do blog Verba Volant e do blog Renata Minds Writing (que está de mudança para outro endereço), tomei conhecimento de um “desafio” chamado 30 Day Blog Chalenge.

Na realidade, existem vários desafios desse tipo, alguns muito parecidos, outros nem por isso. O objetivo principal é ajudar o pessoal que está começando a “blogar” a encontrar um certo rítmo, ao mesmo tempo oferecendo o mote para uma publicação diária e, claro está, ajudar a divulgar o blog ou a página que iniciou o desafio.

Continuar lendo “Desafio trinta dias (em um)”