Leiturtugas #3

Mais uma semana passou e tenho cá mais comentários sobre algumas leituras de obras Portuguesas.

Podem encontrar mais blogs e afins que participam deste projecto aqui: Leiturtugas.

A ver se daqui para a frente isso engrena e tenho comentários uma vez por semana, pelo menos. Ou quando houver leituras 😉

Minhas Leituras

Uma Manhã em Lisboa (Nuno Fonseca)

Um conto muitíssimo curto. Num futuro “quase” apocalíptico (isso existe?), António tem um “furo” (no pneu). E a partir daí, torna-se na típica personagem de filme de horror B: absolutamente estúpido. Pelo menos se usarmos o contexto descrito na história.

Não é fácil desenvolver um texto em tão curto espaço, e talvez o autor tenha tido mais sucesso em outras empreitadas (foi o primeiro texto dele que li).

Não é exatamente mau, mas podia ser muito melhor, na minha opinião. Ainda assim, acho que vale a leitura pela ideia (principalmente considerando ser mesmo muito curto).

Pode ser encontrado aqui.

Minha avaliação: 2/5 (Indiferente)

Watchers & Sentinel (Luís Louro)

Watchers & Sentinel são na realidade duas bandas desenhadas. A primeira, Watchers, tem duas versões (finais diferentes). A segunda, que é a “continuação”, tem dois inícios diferentes. Eu comprei apenas as versões “vermelhas” (vê-se pelo título).

Como se pode ver pela capa, a história passa-se em um futuro não muito distante, mas o contexto não poderia ser mais atual. Tudo pode ser interpretado, claro, mas eu penso que essa obra, ainda que não parece ser panfletária ou aprofundar-se em uma crítica social (mas me parece óbivio que é, de certa maneira, uma crítica), presta-se a uma discussão muito interessante sobre para onde estamos caminhando.

Só por isso já valeria a pena a leitura. Mas a arte é absolutamente deliciosa.

Recomendo.

Minha avaliação: 4/5 (Gostei Muito)

Saga (Sophia de Mello Breyner Andresen)

Saga (Histórias da Terra e do Mar)

Saga é um pequeno conto (cerca de 30 páginas), sobre Hans, que tem uma paixão crescente pelos encantos do Mar, com que seu pai, por razões de tragédia, não concorda. O que não impede Hans de perseguir seu sonho, mesmo contra a vontade da família.

Mesmo não havendo nada de “fantástico” ou “fantasioso” nesta história, não consigo deixar de sentir que há algo ali que beira o fantástico, a fantasia, como outros tantos contos da autora.

É um conto que me dá um nó na garganta, quanto mais eu penso nele. Encontro ali algo que não sei explicar.

Mas posso dizer que com Sophia parece que estou finalmente aprendendo a ler…

E esse é o único comentário que eu vou fazer sobre essa história.

P.S. Esse conto está na coletânea Histórias da Terra e do Mar, que é o livro que eu tenho, mas pode ser encontrado sozinho também.

Minha avaliação: 5/5 (Apaixonado)

Reconversão de Excendentes (Telmo Marçal)

Um conto curto, pura ficção científica. Explora as desventuras de Ortus, que vive em um mundo onde o caos social parece ser a regra, mas que é apenas o pano de fundo para uma história muito mais “pessoal”.

Eu gostei. Tanto da escrita quanto da história, ainda que haja ali pelo meio um evento que eu não consegui entender (e vou reler para tentar perceber o que acontece, mas não sei se terei sucesso).

Ainda assim, fico com a impressão de que todos os contos de ficção científica que tenho lido de autores mais novos (ou nem tanto), sejam eles de autores Brasileiros, Portugueses, ou mesmo outros de países onde a FC tem mais força, são histórias interrompidas, quase como se o autor tivesse medo de ir mais à fundo, tanto na forma como no conteúdo…

Enfim.

O conto pode ser encontrado aqui.

Minha avaliação: 3/5 (Gostei)


Outras Leiturtugas

Warper (Diogo Mané) e Contacto (Liliana Coelho) – Comentário no Intergalactic Robot

Apocryfhus (Vários) – Comentário no Intergalactic Robot

As Sombras de Lázaro (Pedro Lucas Martins) – Comentário no Rascunhos

O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias (João Barreiros) – Comentário no Rascunhos


1Para a semana há mais 🙂

Leiturtugas #2

E lá se passaram muitos meses desde que fiz o primeiro Leiturtugas. Em verdade, isto aqui anda parado. Não por falta de material, mas por falta de algo que ainda não percebi bem. Ânimo? Não dá para dizer que seja tempo… Enfim.

Faz tempo que não publico nada e já se passaram muitos meses, com várias leituras, entretanto, isso aqui pode ser mais curto do que deveria…

Mas cá estamos novamente, então vamos a isso! 😀


Minhas Leituras

Terrarium (João Barreiros & Luís Filipe Silva)

A edição que eu li é revisão feita para a comemoração dos 20 anos de lançamento da obra.

Trata-se de uma grande aventura de ficção científica, que se passa maioritariamente no planeta Terra em em sua órbita. Na realidade, pode-se pensar que são várias histórias “entrelaçadas”, sendo que a costura é feita por algumass poucas personagens.

O que pode acontecer quando uma frota de naves de muitas culturas diferentes chega à terra? Exilados e vigiados por uma outra raça, os visitantes acabam por ser forçados a conviver com os humanos. Uma convivência forçada e tensa que dá o mote para esse épico.

A narrativa é muito interessante, e a história é muito bem escrita, conseguindo manter o interesse ao longo de todo o livro, à medida em que vai descortinando os fatos aos poucos, com cada nova “história”.

Vale a pena ler? Sim. Aliás, se você não leu, não sabe nada sobre ficção científica portuguesa, na minha opinião.

Minha avaliação: 4/5 (Gostei Muito)

Na Crista da Onda (Luís Filipe Silva)

Este conto, integrante da coletânea Space Ópera, tem uma premissa muitíssimo interessante, e que eu só consegui perceber já ia adiantado na leitura. Talvez tenha sido falha minha, mas me pareceu proposital.

Uma história em que o roteiro se sobrepõe às personagens, que já ficaram esquecidos na minha memória. Tenho pena, pois acho que a história poderia ter sido melhor aproveitada. Mas isso sou eu e o autor (ou qualquer outra pessoa), não tem que concordar comigo.

Ainda assim, é um conto que acho que vale a pena ser lido.

Principalmente porque o final é pouco convencional, na minha opinião.

Minha avaliação: 3/5 (Gostei)

O Mandarim (Eça de Queirós)

Esse conto de Eça tem um aspecto “fantástico”, que parece ter sido muito criticado na época de sua publicação.

A leitura foi sugerida pelo José Geraldo Gouveia, do blog Letras Elétricas, para um grupo de discussão literária que fazemos parte, como uma leitura que viria no sentido de conversarmos principalmente sobre “super interpretações”. Foi uma discussão muito interessante.

É uma leitura difícil, no sentido em que esta edição mantém o texto muito próximo do original, ao que parece. Li uma versão digital, comprada na loja Kobo, o que me facilitou a vida, por conta do dicionário embutido. Há ali uma quantidade bastante grande de palavras que me eram desconhecidas. Foi uma leitura muito instrutiva, neste sentido.

A história, que trata, a princípio, de uma crítica à ganância, acabou por mostrar um outro lado (será que é uma super interpretação?) que seria uma verdadeira crítica ao colonialismo Português e não só.

Recomendo? Sim. Mas prepare o dicionário…

Minha avaliação: 4/5 (Gostei Muito)


Outras Leiturtugas

A Recriação do Mundo (Luís Corredoura) – Comentário no Intergalactic Robot

Somos Felizes (Sara Farinha) – Comentário no Mais que um blog de literatura

Arrábida 8 (Pedro G. P. Martins) – Comentário no Mais que um blog de literatura


Tenho outras leituras Portuguesas para o Leiturtugas. Ficam para a semana.

Feira do Livro de Lisboa 2019

Este pequeno “artigo” serve a dois propósitos:

  • Mostrar o que foi que adquirimos na 89ª Feira do Livro de Lisboa (2019).
  • Quebrar o jejum de textos aqui no blog (tenho muita coisa para publicar…).

Vamos a isso.

A feira do livro realizou-se, novamente, no Parque Eduardo VII. Um espaço muitíssimo agradável. Fomos duas vezes à feira. Da primeira vez fizemos uma compra rápida. Já era mais para o fim da tarde e a feira estava lotada. Da segunda vez fomos pela manhã, mal acordava a feira. Foi muito agradável, mas ainda assim foi uma visita rápida, que os custos dessa visita não paravam de subir…

A exemplo de anos anteriores, que nunca menionei antes, boa parte das aquisições deste ano foram de livros infantis, mas acabamos também por investir em Banda Desenhada (quadrinhos).

Fica aqui então um registro do que trouxemos da feira. Ano que vem tem mais 🙂

Livros Infantis

Nasredin
A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça
Vamos Jogar?
Eu Quero a Lua
O Homem de Água
Depois da Chuva
O Médico do Mar
O Velho a preto e branco na Aldeia das Cores
O Livor que voa
O sonho de Mateus

Banda Desenhada

Chernobyl – A Zona
Histórias do Outro Mundo
Portais
Jardim de Inverno
Saga – Volumes 3 a 8

Outros

Hugo Pratt – O desejo de ser inútil
Banda Desenhada – Ensaio sobre a incoerência estilística
Os Mil e Um Fantasmas
Palavras do Livro do Desassossego
O Guardador de Rebanhos

1Eeeeeeeeeeeee é isso. 🙂

2Claro, já comprei mais livros depois da feira (e antes dela também, se for importante…).

3E para que não reste nenhuma dúvida…

Leiturtugas #1

Este ano começou de forma explêndida para mim, em relação às minhas leituras. Finalmente, depois de alguns anos em que li muito menos do que gostaria, consegui engrenar uma rotina que me permite ler, se não tanto quanto gostaria, o suficiente para me acalmar o espírito.

Também descobri um novo projeto, encabeçado pelo Jorge Candeias, que recebeu o nome Leiturtugas.

De forma muito resumida, a ideia é a de criarmos um grupo de leitores/bloggers de obras literárias (que inclui a BD/HQ), de autores Portugueses, classificadas como Fantásticas, focando principalmente na Ficção Científica, mas abraçando também outros gêneros, como Fantasia, Terror, etc. O que esse grupo se propõe a fazer é ler e comentar tais obras.

Quem sabe assim não conseguimos aumentar um pouco a exposição destas obras a um público mais alargado? Ou salvar alguém de um dissabor? 😉

As regras estão no link ali em cima. Portanto, se tens curiosidade e sentes que és capaz de gostar deste projecto, junta-te! Não é preciso ser português (eu ainda não o sou 😉 rs).

E para dar a partida, aqui no meu espaço, deste projeto, vou deixar aqui alguns comentários sobre algumas coisas que eu li, começando neste ano, bem como o que já foi publicado pelos integrantes do projeto, que ainda é pouco, porque começou faz muito pouco tempo.


Minhas Leituras

Floresta de Homens (Valter Marques)

A história, de 2012, é uma ficção científica que, curiosamente, nem é uma utopia nem é uma distopia, mas trata do dia de aniversário de uma mãe (Maria de Fátima) e da viagem que ela e os dois filhos (Carla e Paulo Pedro) fazem. Eles vão visitar O Céu. Sim, esse mesmo, com “O” e “C” maiúsculo. O Céu.

A história está bem escrita, mas a caracterização das personagens, apesar de bem conseguida (mais pelos filhos, nem tanto pela mãe), podia ser mais curta, ou melhor aproveitada dentro da história.

E por falar nisso, a história acabou ficando um pouco aquém do que poderia ser, considerando o tema que abordou, mas que acabou sendo atacado de forma muito tímida. Aqui, não sei até que ponto as próprias crenças pessoais do autor podem ter interferido.

Pesquisando sobre o autor, só consegui encontrar outra história dele, também de 2012 (que tratarei em outra altura), o que é uma pena, porque penso que existe potencial, se trabalhado, para um escritor com histórias interessantes.

Minha avaliação: 3/5 (Gostei)

Futuroscópio (Miguel Montenegro)

Futuroscópio é uma Banda Desenhada (BD ou HQ), lançada em 2018, de autoria de Miguel Montenegro (Argumentos e Ilustrações, com algumas participações especiais. Além de ter trabalhado para a Marvel (EUA), é também autor das tirinhas Psicopatos.

Este trabalho me deixa um tanto em dúvida. Os desenhos em si são de bastante qualidade, mas os temas abordados me deixaram um tanto confuso…

As histórias abordam vários futuros possíveis, e algumas parecem fazer parte de um mesmo universo, ainda que possam ser lidas de forma isolada, pois não estão conectadas. Quase todas tratam de um de dois temas: Gênero e sociedades voltadas para o Bem-estar “forçado” da população.

A confusão surge da nítida ironia e sarcasmo usados nas histórias, porque, pelo menos numa primeira leitura, me escapa o alvo… Prefiro pensar que o alvo seja o exagero em si, que é o que me parece mais provável, mas você pode ter uma opinião diferente.

Minha avaliação: 3/5 (Gostei, mas merece uma releitura mais atenta)

O Saque de Lampedusa (João Barreiros)

O Saque de Lampedusa um conto de João Barreiros que adquiri em meio digital para ler no meu e-Reader (um Kobo). Sendo um conto não muito extenso, lê-se rapidamente.

A história é basicamente a descrição das memórias de um “tanque/robô?” usado no ataque à uma ilha, ocupada por fábricas que se tornaram seres sensientes? e se multiplicam, já tendo invadido e escravizado os seres humanos no Norte de África.

Bem escrito, ainda que passe muito tempo nas divações do tanque/robô? que, na prática, foi fundido com uma parte da consciência de um voluntário (que não sabia bem no que se metia, aparentemente). Parece uma daquelas histórias feitas mais para dar contexto a um universo em particular do que pela história em si. No caso, contexto ao universo do “Deus Morto”, também mencionado de leve neste texto (que apesar de tudo, me parece ser uma ideia muito interessante).

Minha avaliação: 3/5 (Gostei).


Outras Leiturtugas

Euronovela (Miguel Vale de Almeida) – Comentário no Intergalactic Robot.

O Engenho dos Sonhos (Carina Portugal) – Comentário no Lâmpada Mágica.

Yazik (Manuel R. Marques) – Comentário no Lâmpada Mágica.

Antologia de Ficção Científica Fantasporto (Vários) – Comentário no Intergalátic Robot.

P.S. Tenho o Antologia de Ficção Científica Fantasporto, que já li faz alguns anos, e eventualmente faça uma releitura para comentar aqui também.

Manuela Não Acreditava no Amor

Porque esse é um dos meus contos preferidos, e muita gente ainda não o conhece…

Vale a pena a leitura. 😉

O Blog do Jauch

Manuela não acreditava no amor. Também não acreditava em gnomos, carros ou dentistas. A verdade é que simplesmente não acreditava. Fosse no que fosse. Aliás, Manuela não tinha nome. Não de nascença, pelo menos. O “Manuela” surgiu já muito tarde em sua curta vida. Somando-se o facto de não acreditar no amor, pode muito bem ter sido culpa do nome que lhe fora impingido, à revelia, a verdadeira causa do seu trágico fim. Quem poderá afirmar com toda a certeza?

Ver o post original 470 mais palavras

O Velho e o Mar – Hemingway e Eu

Uma das minhas histórias preferidas é O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Uma história relativamente curta, que trata de, bom, basicamente? Um velho que sai pra pescar… E mais não digo. Mas recomendo. Não é a tôa que ele é um dos grandes nomes da literatura mundial.

Recentemente adquirimos uma adaptação em banda desenhada, de Thierry Murat, que é um espetáculo (veja aqui). Continuar lendo “O Velho e o Mar – Hemingway e Eu”

Eu & 5 de Portugal #5

Pois é… Pela primeira vez na vida, o Eu & 5 de Portugal vai ser feito logo depois de um outro Eu & 5 de Portugal…

Dizem que a vida é feita de primeiras vezes, não é? Não dizem que há sempre uma primeira vez para tudo? Pois que seja. Continuar lendo “Eu & 5 de Portugal #5”

A Vida, o Universo e Tudo o Mais #1

Pensei em começar a compartilhar, com vocês, um pouco sobre o que eu penso de tudo. Aos poucos, que é para não chatear ninguém. Como gosto de séries (já viu a minha série Eu & 5 de Portugal?), resolvi criar esta. De vez em quando venho cá dar uns bitaites sobre a vida, o universo e tudo o mais. Portanto, sem mais delongas, vamos a isso. Continuar lendo “A Vida, o Universo e Tudo o Mais #1”

A Sabedoria do Velho Ébrio

Nunca escrevi uma carta em toda minha vida. Esta é a primeira. E será também a derradeira.

Ando acamado já faz algum tempo. Nada me dizem, mas sei que não tardará para que meus dias aqui cheguem ao fim.

Depois de muito pensar, e já não tenho muito mais que fazer, mandei chamar o advogado, a quem passei minha última vontade. Tudo que tenho ficará para a caridade.

Ainda tenho esperanças que um dia entenderão, mas desconfio que quando tal acontecer, meus ossos terão se tornado poeira há muito tempo. Continuar lendo “A Sabedoria do Velho Ébrio”

Escorpião em Papel Alumínio

Importante. Se cá estás e ainda não leu o pequeno conto do post anterior, será mais engraçado se o ler primeiro 🙂

Devo, não nego, pago quando puder.

Essa tem sido uma das máximas que aplico em minha vida. Por mais que essa expressão esteja fortemente relacionada ao “malandro”, não é verdade. Pelo menos aqui. E como todo bom pagador, eu, eventualmente, acabo saldando minhas dívidas.

Faz algum tempo que publiquei o post anterior. Um pequeno conto. O texto era um experimento literário, de certa maneira, ainda que muito pessoal, mesmo sendo um conto. E eu perguntei se vocês seriam capazes de descobrir qual era a característica especial que eu quis dar ao texto.

Nos comentários, como é natural, acabei por descobrir que o texto tinha características que não foram propositais. Por exemplo, que ele aparentava ser um texto fantástico mas que era possível interpretá-lo como realista. Seria ele um texto realista? Um texto agarrado ao realismo mágico? Um texto fantástico, com uma componente sobrenatural, talvez?

Eu sei o que tinha em mente quando escrevi. Mas isso só é importante para mim. Para você, que leu, e que entendeu de forma divergente de mim e de outros, o que importa é se o que você leu fez alguma diferença para si, mesmo que momentaneamente. Para você, o que o texto é para mim e para os outros, não importa.

Entretanto, o experimento em sí é muito mais “neutro” em relação à interpretação, ao mesmo tempo em que não é. Mas por essa razão, e porque uma pergunta que à partida espera que uma resposta seja dada não pode, por qualquer razão que seja, ficar incompleta, eu deixo aqui a solução para o enigma que, pelas respostas, alguns conseguiram perceber, mesmo sem se aperceber que era esse o truque.

Ao ler o texto, conseguias imaginar a cena? Quem era o protagonista? Era eu? Era você? Era “alguém”? Era um homem ou uma mulher? Consegues dizer?

A imagem que ilustra este post quando colocada sob os holofotes do título que lhe dei, tem uma relação muito forte com essa minha tentativa de criar um texto, pequeno, em que a “identidade” da personagem principal esteja incompleta e só possa ser construída a partir da identidade e criatividade do próprio leitor. É um Pato Real na água. Mas porque é que “tem” de ser um pato? Porque é que tem de ser água? Porque não posso ver um escorpião navegando um mar de papel alumínio? Afinal, quem dita as regras?

O exercício foi transportar para um texto em prosa, ainda que curto, uma característica típica dos textos poéticos, que é a capacidade de ser universal. E no caso em concreto, universal ao ponto de garantir que o protagonista possa ser eu. Você. Outra pessoa qualquer.

Terei sido muito pretensioso? Provavelmente. 🙂


1Passei 3 semanas longe de casa, com uma rotina absolutamente desvairada. Sendo assim, estou 3 semanas atrasado nas leituras e comentários dos blogs que sigo. Espero que tenham sentido a minha falta 😛 lol Aos poucos vou colocando a casa em ordem 😉