O que é que o vento te diz?

venta lá fora
um vento que não vai embora
Não se importa comigo
contigo
ou com a hora

que passa ligeira
em seu corcel branco
alheia à chuva
ao tempo
e ao pranto

que é vinho tinto diz a criança
e escorre no escuro
apagando o passado
rasgando o presente
queimando o futuro

que era como o sol sobre o mato
fazendo crescer sem rumo
tomando conta de tudo
da vida
do tempo
e do mundo.

Jauch


De cara a la Parede
(Lhasa de Sela)

Llorando
De cara a la pared
Se apaga la ciudad
Llorando
Y no hay màs
Muero quizas
Adonde estàs?
Soñando
De cara a la pared
Se quema la ciudad
Soñando
Sin respirar
Te quiero amar
Te quiero amar
Rezando
De cara a la pared
Se hunde la ciudad
Rezando
Santa Maria
Santa Maria
Santa Maria

Os Peixinhos

Lembram dos Tribalistas? Pois é, já lá vão 15 anos. Mas agora eles voltaram. Essa semana lançaram vários vídeos oficiais com as novas músicas.

Essa em especial chamou-me a atenção. Por várias razões. Primeiro, porque é uma música com melodia e harmonia absolutamente deliciosas. Com uma letra que me remete aos livros de histórias infantis, às crianças, à inocência que perdemos com o passar dos anos, mas ao mesmo tempo, com camadas sob camadas. Sendo preciso atenção para perceber. É uma letra ingênua, e ao mesmo tempo, de ingênua não tem nada. No fim, a realidade somos nós que criamos. Somos nós que vemos o que queremos: quem, onde e quando.

E claro… Carminho. A voz dela, com seu acento português, ficou absolutamente perfeita no conjunto já de si de outro mundo, que são as vozes de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown.

Já faz parte da minha lista de músicas “em repeat” 🙂

Os Peixinhos
(Arnaldo Antunes / Carlinhos Brown / Carminho / Marisa Monte)

os peixinhos são
flores sem o chão
nadam, boiam, fazem bolhas
e bolinhas de sabão

como lindos são
coloridos tão
espirrando gotas
como notas na canção

nas vitrines máscaras de aquários
dos mergulhadores
furtam do arco-íris tantas cores
ultravioleta, infravermelho degradée e fúcsia
todas as modulações do espectro

os peixinhos são
flores sem o chão
nadam, boiam, fazem bolhas
e bolinhas de sabão

como lindos são
coloridos tão
espirrando gotas
como notas na canção

nas escamas brilha espelhada
toda a luz do sol
verde, azul, vermelho, ouro e prata
segue junto com o seu cardume
pra enganar o anzol
aquarela colorindo a água

Carminho: voz, metalofone, reco-reco e percussão de boca
Carlinhos Brown: voz, eletrônicos artesanais, HandSonic, berra-boi e percussão de boca
Arnaldo Antunes: voz e percussão de boca
Marisa Monte: voz, violão, reco-reco e percussão de boca
Cézar Mendes: violão
Dadi: violão aço, bandolim, guitarra Pignose, Fender Rhodes e baixo de silicone

O Que Você Faria?

Crise. Já ouviu essa palavra? Provavelmente é das palavras mais faladas (e ouvidas, por conseguinte), desde há muitos anos. Estamos permanentemente em crise. Econômica, política, social, ambiental, humanitária… Mas mais do que todas essas, estamos permanentemente em crise pessoal.

Se te disserem que está tudo bem, desconfie. Há quem se defenda da sua crise fingindo que ela não existe. Sim, porque estamos em crise desde que nascemos. Pra começar, mal saímos da mãe, já nos dão uma bolachada. E pra quê? Só pra ver a gente chorar? Tem coisa mais sádica do que essa? Bater num pobre e indefeso bebê? Mas adiante, que a vida é curta, mas só quando a gente olha pra frente. Pra trás até parece que eu nasci no século passado. Continuar lendo “O Que Você Faria?”

KOVACS – My Love

Há todo tipo de motivos por trás de um blog. Os meus variam, conforme meu estado de espírito. Entretanto, via de regra, um dos grandes motivos que me traz aqui é querer compartilhar com vocês aquilo que eu gosto. Tanto mais é que eu pago para não verem cá publicidade. Quem é amigo? Quem? 😉

Entre as minhas muitas paixões está a música. E hoje quero vos trazer uma música em especial, que não conhecia até ontem (mas que já escutei pelo menos umas 30 vezes desde então…). O nome da música é My Love, interpretada pela cantora holandesa KOVACS (Sharon Kovacs). Continuar lendo “KOVACS – My Love”

Tenho Medo…

— Papá…?

Levanto-me do sofá e percorro os poucos metros que me separam do quarto dele. Abro a porta com cuidado, mas sem esperanças de que ele tenha adormecido novamente.

— Diz, filho.
— Tenho medo…
— Oh, filho. Não precisas de ter medo. Papai e mamãe estão aqui e nada vai te acontecer.
— Mas eu tenho medo… Podes ficar aqui um bocadinho?

Sento-me na cama e ligo o móbil. Este começa a tocar uma melodia de Bach. Projecta uma imagem no teto que gira suavemente, mostrando animais felizes, sorrindo. Animais de faz de conta. O ruído de fundo das engrenagens que fazem a imagem girar é regular, suave. Acalma quase tanto quanto a música. 

Ele se vira de lado e fecha os olhos. Está abraçado ao seu pequeno coelho de pelúcia, aquele das histórias de Beatrix Potter, com o casaquinho azul e tudo. Respira tranquilamente. Sente-se seguro. Eu fico alguns minutos e então levanto-me. Abro a porta novamente, com cuidado, na esperança de que ele tenha finalmente adormecido.

— Papá…? Ainda tenho medo…

Jauch

Continuar lendo “Tenho Medo…”

Você já parou pra pensar…?

Você já parou pra pensar que muito daquilo que nos afeta emocionalmente, quiçá tudo, nos afeta porque, de certa forma, deixamos que isso aconteça? Ou ainda, porque o impacto de algo, seja um gesto, um discurso, uma paisagem, depende (quase que) exclusivamente de como olhamos para eles? Essa parece ser a razão porque algo afeta tanto uns e tão pouco outros…

Esses dias ouvia o rádio quando tocou uma música que me atingiu de forma inesperada. Não sabia o título ou quem cantava, ainda que a voz me soasse estranhamente familiar, mas decorei parte da letra (que não era longa) e iniciei a procura (obrigado aos santos motores de busca…).

Encontrei várias versões da música, inclusive a original, até que finalmente esbarrei na que eu tinha ouvido.

Continuar lendo “Você já parou pra pensar…?”