Tenho Medo…

— Papá…?

Levanto-me do sofá e percorro os poucos metros que me separam do quarto dele. Abro a porta com cuidado, mas sem esperanças de que ele tenha adormecido novamente.

— Diz, filho.
— Tenho medo…
— Oh, filho. Não precisas de ter medo. Papai e mamãe estão aqui e nada vai te acontecer.
— Mas eu tenho medo… Podes ficar aqui um bocadinho?

Sento-me na cama e ligo o móbil. Este começa a tocar uma melodia de Bach. Projecta uma imagem no teto que gira suavemente, mostrando animais felizes, sorrindo. Animais de faz de conta. O ruído de fundo das engrenagens que fazem a imagem girar é regular, suave. Acalma quase tanto quanto a música. 

Ele se vira de lado e fecha os olhos. Está abraçado ao seu pequeno coelho de pelúcia, aquele das histórias de Beatrix Potter, com o casaquinho azul e tudo. Respira tranquilamente. Sente-se seguro. Eu fico alguns minutos e então levanto-me. Abro a porta novamente, com cuidado, na esperança de que ele tenha finalmente adormecido.

— Papá…? Ainda tenho medo…

Jauch

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Você já parou pra pensar…?

Você já parou pra pensar que muito daquilo que nos afeta emocionalmente, quiçá tudo, nos afeta porque, de certa forma, deixamos que isso aconteça? Ou ainda, porque o impacto de algo, seja um gesto, um discurso, uma paisagem, depende (quase que) exclusivamente de como olhamos para eles? Essa parece ser a razão porque algo afeta tanto uns e tão pouco outros…

Esses dias ouvia o rádio quando tocou uma música que me atingiu de forma inesperada. Não sabia o título ou quem cantava, ainda que a voz me soasse estranhamente familiar, mas decorei parte da letra (que não era longa) e iniciei a procura (obrigado aos santos motores de busca…).

Encontrei várias versões da música, inclusive a original, até que finalmente esbarrei na que eu tinha ouvido.

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