Depois da Tempestade…

As Férias!

Pois é. Foram algumas semanas muito complicadas, profissionalmente. E quando a tensão e a ansiedade ultrapassam um certo limite, passo a funcionar monotarefa, focado apenas em solucionar aquilo que está causando o estrago…

Entretanto, desde segunda-feira estou de férias, por duas semanas. Neste momento, estou numa quinta em Sintra, descansando, recarregando as pilhas.

Semana que vem, ainda de férias, volto à “rotina”. Ler-vos, escrever-vos… Enfim, socializando. 🙂

Até já!

a cara de quem levou tanta porrada

Eu raramente “reblogo” o que quer que seja.
Mas este texto, esta poesia, esta dor em linha…
Isso é “do caraças”.

E todo mundo tem de ter o direito de o ler…
E pensar.
E olhar para si mesmo.
E talvez até chorar.
E no fim, erguer a cabeça, bendizer a própria sorte.
E com menos ou mais porradas, continar.


 

lux et voluptas

queria ter menos cara de quem levou tanta porrada

queria ter a carcaça mais fina

um olhar menos esperando o próximo soco

queria esperar menos o pior de tudo e de todos

queria a dissimulação de quem diz “não, obrigado”

a irrelevância de um estúpido “de nada”

 

eu aguento, mas eu queria mesmo era ter

menos cara de quem levou tanta porrada

 

queria ter a sofisticação de uma infância tranquila

a classe da despreocupação

de um fino vestido longo estampado

ajustado a uma pele branquinha e sem eczemas

a esguiez aristocrática de quem não conhece

o gosto do próprio sangue escorrendo nos lábios

nem do sufoco da espera lastimada

 

eu aguento, mas eu queria mesmo era ter

menos cara de quem levou tanta porrada

 

eu revido sempre

deixo cicatrizes nos outros

aguento bem o tranco

mas eu queria mesmo era

o silêncio de quem esvazia a…

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Tenho Medo…

— Papá…?

Levanto-me do sofá e percorro os poucos metros que me separam do quarto dele. Abro a porta com cuidado, mas sem esperanças de que ele tenha adormecido novamente.

— Diz, filho.
— Tenho medo…
— Oh, filho. Não precisas de ter medo. Papai e mamãe estão aqui e nada vai te acontecer.
— Mas eu tenho medo… Podes ficar aqui um bocadinho?

Sento-me na cama e ligo o móbil. Este começa a tocar uma melodia de Bach. Projecta uma imagem no teto que gira suavemente, mostrando animais felizes, sorrindo. Animais de faz de conta. O ruído de fundo das engrenagens que fazem a imagem girar é regular, suave. Acalma quase tanto quanto a música. 

Ele se vira de lado e fecha os olhos. Está abraçado ao seu pequeno coelho de pelúcia, aquele das histórias de Beatrix Potter, com o casaquinho azul e tudo. Respira tranquilamente. Sente-se seguro. Eu fico alguns minutos e então levanto-me. Abro a porta novamente, com cuidado, na esperança de que ele tenha finalmente adormecido.

— Papá…? Ainda tenho medo…

Jauch

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Versatile Blogger Award

Os “prêmios” no universo dos blogs são uma forma engraçada de fazer duas coisas: Indicar outros blogs que nos chamam a atenção e, ao mesmo tempo, dar um pouco mais de visibilidade ao nosso próprio.

A Renata, do blog Mulheres e Mentes indicou o meu blog como um dos preferidos nela, no prêmio “Versatile Blogger Award”. Eu agradeço imensamente a indicação. Na lista de 6 blogs que ela mencionou (podes ver o post aqui), eu sou o único ser humano do sexo masculino presente. Isso é um privilégio e, espero, uma indicação de que eu estou no caminho certo e não deixo que os impulsos machistas, com que a sociedade tentou me moldar ao longo dos últimos 40 anos, prevaleçam sobre a minha capacidade crítica e capacidade de expressão.

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Ser ou Não Ser…

O texto que se segue é uma revisão de um texto que publiquei no meu antigo blog (o Lápis 2B), que já era uma revisão de um outro texto feito numa noite de maio de 2014 para um concurso em que cada semana deveríamos escrever um texto, com até 400 palavras. Esta foi a história que enviei para a primeira rodada.

Outros textos que foram feitos para o tal concurso e que já publiquei aqui são Manuela Não Acreditava no Amor e Ah… A Vida…

Este texto, penso eu, pode ser enquadrado dentro da categoria de “realismo fantástico”. Não se engane, entretanto. Há muito mais nele do que pode parecer à primeira vista. Ao menos foi o que eu tentei criar.

Considero esta revisão um dos meus melhores textos curtos, sendo muito melhor do que o original, confesso, que foi feito em um par de horas, com a deadline sobre o pescoço…

Espero que gostem tanto quanto eu 🙂

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Natureza Morta I

Natureza Morta é um tipo de composição em que são representados apenas seres “inanimados”, tais como frutas, taças, instrumentos musicais, etc.

A composição aqui representada foi feita, literalmente, à luz de velas. Foi utilizado apenas um lápis B (B refere-se à dureza, sendo ligeiramente mais macio do que o HB, que é o lápis preto comum).

É a minha primeira natureza morta e eu quis um motivo “noturno”, em que os objetos estivessem no escuro, com sombras bastante distintas e abruptas. Ainda não foi dessa vez que eu consegui exatamente o que eu quero, mas eu chego lá.

A ponta do lápis está bastante longa, sendo possível preencher grandes áreas bastante rapidamente. Entretanto, o desenho fica menos “preciso”, porque todas as linhas, para evitar marcar o papel, são feitas com o lápis “deitado”, o que gera traços mais largos.

O Papel é uma folha A5 180g, amarelada, com textura, o que também contribui para uma menor precisão não só nos traços como também no preenchimento.

Para uma segunda tentativa na mesma noite, estou satisfeito com o resultado.

Agora é continuar a praticar e testar outras técnicas.

Abraços!