Eu & 5 de Portugal #3

Já fazia algum tempo que eu não colocava nada “visual”, aqui no blog, sobre o meu Portugal. Meu, porque já é meu. Agora é tarde. Adotei e fui adotado. Não há volta a dar.

Mas pronto, quando chega a hora, chega a hora, e hoje esse post impunha-se.

O pequenucho viu o belíssimo dia que fazia lá fora e quis ir ao “Parque dos Vermelhos”, que é o nome que ele deu ao Parque Urbano do Jamor, que está integrado no Complexo Desportivo do Jamor, em Cruz Quebrada (Oeiras). Quando ele pediu, a primeira vez, para ir ao “Parque dos Vermelhos”, tinha ele não sei, talvez uns 3 anos, foi um parto pra descobrir qual era o parque. Tivemos que pegar o carro e dar umas voltas por alguns parques que ele já tinha visitado até ele apontar o correto…

Pelo menos é assim que eu me lembro. Mas minha memória é… Bem… Engraçada. 🙂

Portanto, deixo aqui algumas fotografias feitas hoje. Eram para ser cinco, certo? E sempre foram seis… Hoje nem sei quantas serão. Vou escolhendo, depois vocês contam…

blog_patoreal
Anda, nada, voa e ainda enfia a cabeça na água. Por isso, um pato, pra começar.
blog_marcasdotempo
O tempo deixa suas marcas. E também a água, os Líquens, as Gaivotas, …
blog_deixaosolchegar
Vou de Táxi! Cê sabe… Mas só se for amarelo. E com sóis…
blog_etvelha
Objetos Voadores Não Identificados às 15:59
blog_simetrias
Simetrias assimétricas. Ou um OVNI para facilitar…
blog_liberdade
Porque as vezes, tudo o que você quer é voar sozinho
blog_grupo
E outras vezes, tudo que você quer é estar com a turma
blog_oequilibrista
E se não podes voar e os outros não estão por perto, podes sempre brincar de equilibrista na corda invisível do buraco número 7
blog_aosol
Devagar se vai ao longe…

1Se estiver curioso para ver os outros dois capítulos desta série, podes visitar o capítulo #1 e o capítulo #2.

Não tenhas dó

Não tenhas dó

já tenho a roupa desfeita
minhas entranhas estão amareladas
dentro de mim tudo sabe a dor

as vezes de raiva, as vezes de prazer
quase sempre é torpor

mas fui tua companheira na solidão
por vezes teu único regalo
enviada ao exílio já nada importa

não te sinto, não me mintas
estou morta

se sonhei sonhos de outros tempos
se vivi vidas de outras almas

foi só porque sim

fiz o que fiz e disse o que disse
o arrependimento não é para mim

Jauch


1Essa poesia custou a sair…

2É sério…

Amor? Forma!

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

Passeando pelo centro comercial, em direção à praça de alimentação, vê-se muita gente. E muita gente, bem… diferente? O pequenote vai um pouco mais à frente, divertido, sentindo o gosto da liberdade que pensa que tem, a apreciar a quebra na rotina que já é sua pequena vida.

E como todos antes dele, do alto dos seus 5 anos, quando algo lhe chama a atenção, tal é irresistível e já mais nada importa.

Não é difícil perceber isso, já que ele continua a andar, alheio à todos os detalhes irrelevantes como outras pessoas que tem de desviar dele para que possa continuar seu caminho, enquanto ele vai virando o rosto para manter os olhos fixos na mesma direção da única coisa que existe, para ele, neste momento.

Levo algum tempo a perceber para onde ele olha, mas finalmente fica claro. Numa ilha com poltronas, no meio do corredor, uma moça, solitária, espera sentada. É uma moça bonita, na casa dos 20 anos, “produzida”. Mas o que me chama a atenção e, penso eu, é o que chama a atenção do pequenote, é o cabelo. Liso, comprido, com madeixas loiras.

Quando já não é possível continuar a andar e olhar para a moça ao mesmo tempo (que afinal, não somos corujas), ele volta ao seu andar divertido, aparentemente já esquecido da moça.

— Filho, estavas a olhar para a moça?

— Sim!

— Chamou-te a atenção?

— Sim! Eu gosto dela.

Imediatamente, como que para se certificar que não entendemos errado, explica.

— Mas não é amor! Não é gostar como amor!

Eu e a mãe nos olhamos, assim mesmo, olhos esbugalhados, como a perguntar um ao outro “Mas que raio? Como assim?”. Mas ele não dá tempo para decidirmos o que estava acontecendo.

— Eu gosto da forma dela. Da forma. É gostar da Forma.

E faz assim um movimento de “forma” com as mãos que eu não consigo deixar de pensar que lembra por demais um violão…

Eu fico sem palavras. Continuamos andando e ele já nem se lembra da conversa, distraído com todas as outras pessoas, luzes e pequenos detalhes que ainda não deixaram de ser interessantes.

Cinco anos, penso eu. Cinco anos. Pra que raio queria eu saber de Báskaras e Hipotenusas, afinal? Deviam era ter me preparado para o que realmente interessa…

Every Little Thing She Does Is Magic
(The Police)

Though I’ve tried before to tell her
Of the feelings I have for her in my heart
Every time that I come near her
I just lose my nerve
As I’ve done from the start

Every little thing she does is magic
Everything she do just turns me on
Even though my life before was tragic
Now I know my love for her goes on

Do I have to tell the story
Of a thousand rainy days since we first met
It’s a big enough umbrella
But it’s always me that ends up getting wet

Every little thing she does is magic
Everything she do just turns me on
Even though my life before was tragic
Now I know my love for her goes on

I resolve to call her up a thousand times a day
And ask her if she’ll marry me in some old fashioned way
But my silent fears have gripped me
Long before I reach the phone
Long before my tongue has tripped me
Must I always be alone?

Every little thing she does is magic
Everything she do just turns me on
Even though my life before was tragic
Now I know my love for her goes on

(Every little thing she does is magic
Everything she do just turns me on
Even though my life before was tragic
Now I know my love for her goes on

Every little thing
Every little thing
Every little thing
Every little thing
Every little
Every little
Every little
Every little thing she does
Every little thing she does
Every little thing she does
Every little thing she does
Thing she does is magic

Eee oh oh…)

Every little thing
Every little thing
Every little thing she does is magic magic magic
Magic magic magic


1Baseado em fatos reais

2Anda por aí um artigo dizendo que a adolescência agora começa aos 10 anos… Ingênuos…

Eu sou Infinito

Eu olho para o passado. Meu passado. Minhas experiências, medos e sonhos. Os amores e os ódios. Eu olho para aquele que fui, e para aquele que penso que fui, e para aquele que imagino que fui, e para aquele que desejo ter sido.

E não me reconheço em nenhum deles.

Essa pessoa que fui, eu, um eu, não era quem hoje sou. Esse outro eu sequer era um eu. Era muitos eus. Infinitos eus. Cada eu que fui foi único e efêmero. Cada eu que fui não durou mais do que um suspiro. A cada milésimo de segundo eu morri e renasci. E quem começou a escrever estas linhas, uma hora atrás, já não anda mais por esta terra. Já morreu. E renasceu. E morreu novamente para dar lugar a um novo eu. Que morreu e renasceu eu, que já não existe porque quem existe sou eu. E eu não existo…

Mas eu existo desde antes de nascer. Desde antes de ser concebido. Desde antes de ser desejado ou imaginado. Eu existo desde o princípio dos tempos. Todos os eus que fui, que sou e serei, sempre existiram. Sou um eu que se transubstancia em mim mesmo, através do tempo e do espaço. Um eu que sempre existiu e vai existir para sempre. Infinito.

E por ser infinito, ninguém sabe quem sou. Ninguém é capaz de me ver ou conhecer, ninguém é capaz de me tocar. O eu que os outros pensam e imaginam, amam e odeiam, buscam e fogem, já não existe. O eu que vêem quando estou bem em frente deles não sou eu. Esse eu é passado. E sou todos os meus eus, e não sou nenhum, porque mesmo eu não posso me encontrar.

O futuro sempre foi uma mentira.
O presente é só uma ilusão.
Só o passado existe.

Mas eu não sou meu passado.
Eu não existo.
Eu sou Infinito.

“To Let Myself Go”
(Ane Brun)

To let myself go
To let myself flow
Is the only way of being
There’s no use telling me
There’s no use taking a step back
A step back for me…


1Eu tinha pensado em escrever algo completamente diferente… Mas, por alguma razão, saiu esse pequeno devaneio. Não foi planeado. Não foi pensado. Simplesmente saiu…

2A trilha sonora deste texto, inicialmente, não era para ser essa… Ao longo deste texto, que teve múltiplas vidas antes de finalmente chegar ao seu fim, eu ouvi outras 3 músicas, em repeat, além dessa. Mas esta… Esta tinha de ser a música a decorar o texto.

3Não fui eu que escrevi este texto. Foram muitos eus, mas eu não sou mais nenhum deles…

Fazer xixi e ir dormir…

(Ou as aventuras de um pai, uma mãe, e um filho…)

O despertador tocou, indicando que eram horas do pequenote ir para a cama.
O pai, já sabendo o que lhes esperava, suspirou, bateu com as duas mãos nas pernas e levantou dizendo:

Vamos picurrucho. Está na hora de ir escovar os dentes, fazer um xixi e ir para a caminha.

Após a enrolação inicial, com direito a “não! só mais 5 minutos! só mais 3 minutos! só mais 1 minuto! vá lá!!!!” e quase ter de arrastar o pequeno, pelo chão, para a casa de banho, conseguiram entrar.
Já com a escova com a pasta de dentes posta à mão, ele decide que quer fazer xixi primeiro. A mãe começa a passar-se, mas ele senta na sanita.
E nada de xixi…
A mãe, já perdendo a paciência, começa o sermão.

Vamos picurrucho, despacha-te. Está na hora de ir escovar os dentes. Faz logo esse xixi. Se ficas a enrolar muito, não dá tempo depois de contar a historinha…

Claro que a meio da conversa o pequeno já tinha encontrado alguma coisa no chão para se entreter.
A mãe fecha os olhos, conta até 3 e quase consegue sorrir.

Filho, ouviste o que a mãe disse?

Ele, muito sincero, mas sem levantar os olhos do que lhe chamava a atenção, responde.

— Não ouvi tudo…

O pai, com um pressentimento que a coisa ia correr mal, resolve se adiantar.

Filho, diz lá para o pai o que foi que ouviste…

E ele, sem receio nenhum, responde da forma mais honesta possível.

— blá blá blá blá…


1Baseado em fatos reais

2Agora eu sei que quem teve a ideia para essa propaganda, sem sombra de dúvidas, tinha filhos pequenos…

Resoluções para 2018

Parece que faz muito tempo desde a última vez em que cá estive…
Bom, deve ser porque faz. O final de 2017 foi muito complicado e eu acabei precisando focar minha atenção em outras atividades.

Mas finalmente 2017 acabou e, com ele, todos os problemas e dificuldades. Não é? Não? Pois não, mas a vida é assim, e com um pouco de boa vontade e esforço, somos capazes de superar as dificuldades e, caso não seja possível mudar o que acontece à nossa volta, nos adaptarmos à nova realidade.

Contrariando a tradição, decidi deixar a decisão (???) das minhas metas para 2018, bom, para 2018… E a quem interessar possa, as minhas reosluções para 2018, aquelas relacionadas com este blog, são as seguintes:

  • Tornar as publicações regulares, com um novo texto todas as semanas, às quintas-feiras.

E é isso. Nenhuma outra meta. De resto, vou continuar o processo de diversificação dos meus textos, com reportagens fotográficas, poesias, mini-contos, artigos de opinião, etc. Ou seja, tudo aquilo que eu produzo ou gosto e que quero compartilhar com vocês.

E claro, vou continuar com as leituras dos meus companheiros de vida digital, tentando, na medida do possível, recuperar o tempo perdido.

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1Esta primeira semana de 2018 será a única em que não será produzido um texto à quinta-feira, ficando este como o texto semanal…

2As demais resoluções são pessoais e, ainda que tenham imapcto na minha produção digital aqui no blog, ficarão privadas. O que é o mesmo que dizer que ainda não as coloquei no papel…

Escorpião em Papel Alumínio

Importante. Se cá estás e ainda não leu o pequeno conto do post anterior, será mais engraçado se o ler primeiro 🙂

Devo, não nego, pago quando puder.

Essa tem sido uma das máximas que aplico em minha vida. Por mais que essa expressão esteja fortemente relacionada ao “malandro”, não é verdade. Pelo menos aqui. E como todo bom pagador, eu, eventualmente, acabo saldando minhas dívidas.

Faz algum tempo que publiquei o post anterior. Um pequeno conto. O texto era um experimento literário, de certa maneira, ainda que muito pessoal, mesmo sendo um conto. E eu perguntei se vocês seriam capazes de descobrir qual era a característica especial que eu quis dar ao texto.

Nos comentários, como é natural, acabei por descobrir que o texto tinha características que não foram propositais. Por exemplo, que ele aparentava ser um texto fantástico mas que era possível interpretá-lo como realista. Seria ele um texto realista? Um texto agarrado ao realismo mágico? Um texto fantástico, com uma componente sobrenatural, talvez?

Eu sei o que tinha em mente quando escrevi. Mas isso só é importante para mim. Para você, que leu, e que entendeu de forma divergente de mim e de outros, o que importa é se o que você leu fez alguma diferença para si, mesmo que momentaneamente. Para você, o que o texto é para mim e para os outros, não importa.

Entretanto, o experimento em sí é muito mais “neutro” em relação à interpretação, ao mesmo tempo em que não é. Mas por essa razão, e porque uma pergunta que à partida espera que uma resposta seja dada não pode, por qualquer razão que seja, ficar incompleta, eu deixo aqui a solução para o enigma que, pelas respostas, alguns conseguiram perceber, mesmo sem se aperceber que era esse o truque.

Ao ler o texto, conseguias imaginar a cena? Quem era o protagonista? Era eu? Era você? Era “alguém”? Era um homem ou uma mulher? Consegues dizer?

A imagem que ilustra este post quando colocada sob os holofotes do título que lhe dei, tem uma relação muito forte com essa minha tentativa de criar um texto, pequeno, em que a “identidade” da personagem principal esteja incompleta e só possa ser construída a partir da identidade e criatividade do próprio leitor. É um Pato Real na água. Mas porque é que “tem” de ser um pato? Porque é que tem de ser água? Porque não posso ver um escorpião navegando um mar de papel alumínio? Afinal, quem dita as regras?

O exercício foi transportar para um texto em prosa, ainda que curto, uma característica típica dos textos poéticos, que é a capacidade de ser universal. E no caso em concreto, universal ao ponto de garantir que o protagonista possa ser eu. Você. Outra pessoa qualquer.

Terei sido muito pretensioso? Provavelmente. 🙂


1Passei 3 semanas longe de casa, com uma rotina absolutamente desvairada. Sendo assim, estou 3 semanas atrasado nas leituras e comentários dos blogs que sigo. Espero que tenham sentido a minha falta 😛 lol Aos poucos vou colocando a casa em ordem 😉

A vaca e o cavalo

(Ou o retiro dos frangos chatos)

Rogério e Eduardo matavam tempo sentados no alpendre da casa. Não havia muito que fazer àquela hora, com os outros ocupados nas tarefas que ainda estavam por acabar, mas que já não eram suficientes para todos.

— Sabe se o almoço já tá pronto?

Rogério balançou a cabeça e desapareceu atrás da casa. Voltou pouco tempo depois, com o cenho franzido.

— Que cara é essa? O almoço fugiu?

Rogério tirou o boné e coçou a cabeça.

— Não. O almoço não fugiu. Mas eu não me admiro nada se fugir.
— Então?
— Bom, você viu quando o João empalou os frangos?
— Não. Mas eu vi enquanto ele preparava os espetos. Espera. Eu disse espetos? Eu quis dizer lanças.

Rogério esboçou um sorriso. Conseguia imaginar perfeitamente o sorriso de maníaco do Iluminado que o João fazia.

— É. Bom, os frangos já estão no fogo. Faz uma meia hora.
— Então está quase.

Eduardo levantou-se, já pensando em se dirigir para a mesa.

— Não exatamente.
— Hein?
— Eles estão tão crus como quando o João empalou eles.
— Prefiro não pensar nisso. Mas e aí? Ainda vai demorar? Meu estômago já está roncando.
— Isso não é o teu estômago que faz.

Eduardo mostrou a língua, num gesto que era ao mesmo tempo infantil e uma alternativa para um “vai se foder” pouco apropriado. Eduardo caiu na gargalhada e virou-se para a mata. Rogério fez o mesmo, coçou o queixo e após uns instantes respondeu.

— Eu vou dizer que não, não vai demorar. Mas isso não quer dizer que o almoço vai ficar pronto.
— Por quê?
— Eu já consigo imaginar o garfo entrando num daqueles frangos e ele levantar vôo e atacar.
— O Padre está aqui. Se isso acontecer, ele exorciza os frangos.
— Ahã.
— Mesmo assim, um frango cru voador assassino ainda é melhor que o miojo unidos venceremos da Ana.
— Mas quem é que consegue estragar miojo?? Me explica!

Ambos sorriram. O miojo da Ana tinha já virado uma pedra no fundo da lata de lixo. E se os frangos realmente resolvessem atacar, seria uma correria igual à da noite passada, quando as meninas tentaram assustá-los, subindo o morro na surdina, vindas da casa, único lugar com luz, enquanto eles, à espreita do lado de fora da barraca, acobertados pela escuridão absoluta, esperavam o momento certo para saírem correndo e gritando atrás delas. O Padre Alfeu não era exorcista.

— Olha, uma vaca!

Eduardo olhou na direção em que Rogério apontava e rolou os olhos com uma expressão de “Você está tirando com a minha cara?”.

— Aquilo é um cavalo, sua anta.

O expressão do Rogério foi de incredulidade divertida.

— Hã? Cavalo? Aquilo é uma vaca!

Eduardo olhou novamente, para se certificar. Cruzou os braços e armou um meio sorriso de escárnio e desafio.

— É um cavalo.
— É uma vaca.
— É um cavalo.
— É uma vaca!
— É a porra de um cavalo!
— Mas você é burro ou o quê? Cavalos não tem chifres!

Eduardo cansou-se da brincadeira do amigo, agarrou-o pelo braço e arrastou-o para mais perto da cerca, para mostrar de uma vez por todas que ele precisava de óculos. Deteve-se repentinamente, nem cinco passos tinha dado. Olhou para o Rogério, que olhou de volta, e encerraram a discussão chorando de tanto rir.

Do outro lado da cerca, um cavalo e uma vaca pastavam tranquilos, alheios à discussão de que tinham sido protagonistas. Discussão essa que só começou por causa de uma árvore que tapava a visão de Eduardo e Rogério, só deixando ver, a um o cavalo, ao outro a vaca.

E os frangos? Estavam crus. E mortos. Mas o Eduardo jura de pés juntos, até hoje, que viu um deles se mexer quando lhe espetou o garfo.

 


1Essa história é baseada num caso verídico? Sim. Os nomes não foram trocados, mas se me perguntarem, vou negar até o fim e dizer que não sei quem são.

2Essa história tem uma moral? Tem sim senhor. Fique à vontade para escolher a sua.

3Nenhum animal foi maltratado para a realização desse conto. O cachorro quente que eu comi ao jantar antes de escrever não fazia parte da história. Também não sei se tinha carne lá. A salsicha era de peru, e eu descofio que perus não existem… Os frangos? Já estavam mortos quando foram empalados. E não fui eu!

4Sim. Foi um retiro. Do tipo espiritual. Eu já fiz dessas coisas…

5Essa história aconteceu faz mais de 15 anos. Os detalhes eu inventei. E os diálogos. Alguns. A maioria. Só não inventei os fragos. E a vaca. E o cavalo. E as lanç…Espetos. Os espetos. E a discussão se era um cavalo ou uma vaca. E sim, o miojo também aconteceu. E também o frango que estava cru.

6Eu juro que ele se mexeu. 

 

Eu & 5 de Portugal #1

A Mãe do Vico e do Ludo perguntou:

Depois de ter aberto meu coração, gostaria de saber quais são as motivações de vocês, que também escrevem regularmente, muitos blogueiros e blogueiras até mais de duas vezes por semana aqui no WordPress, que é a meta que eu tento manter para o LudoeVico, ou em outros meios, como o bom e velho caderninho de anotações.

As vezes penso que é por pura falta do que fazer. As vezes, porque a vida de quem escreve, aquela que invento, obnubila-me, diria o Alan. As vezes parece-me que é por aquilo que me dão em troca. Os elogios, claro, que de críticas já chegam as minhas próprias. E por vezes é sempre pelo dinheiro, que um dia, tenho certeza, hei de receber. Tal e qual o senhor de “O Segredo” que pensava positivo e recebia cheques pelo correio. Há dias em que penso que afinal é pela fama. Ou pelo sucesso. Ou por tudo aquilo que nem sei que existe, mas que conseguirei, tenho certeza.

Mas a verdade é que não sei.

Não sei porque escrevo. Qual a razão? O motivo? O sentido? Não sei, porque quando escrevo nada importa a não ser o ato. Nada existe para além desse momento, em que mãos e olhos tentam traduzir o que vai na minha cabeça e no meu coração. Não sei porque escrevo. Sei que escrevo só quando tenho vontade. Quando há algo que quer sair. Quando preciso expulsar o que se agarra nas minhas entranhas e me mói o juízo. Escrevo quando está frio. Escrevo quando a solidão me chama e me basta. Sei tudo isso, mas não sei porque escrevo.

Quando escrevo, nada existe, tudo é fantasia. Tudo está dentro desta cabeça oca, ou se preferir, vazia.

Sendo assim, não tenho resposta para dar. E se isso por si só deveria bastar, mas tal não se verifica, fica, que tenho ainda algo pra te mostrar.

Como prenda e pedido de desculpas, deixo-te aqui 5 momentos de mim e de Portugal.
Aceitas?

7
A Gaivota (ou aquela que tem 100 anos de perdão…)
17
O Mar de Algodão
21
Pra cima
23
H      2      O
p1000613
O dia em que São Pedro trocou a água por gasolina

E apesar de eu ter dito que eram 5, queria muito por esta a seguir, então vou começar já rebelando-me contra mim mesmo…

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O Ocaso que queria ser Aurora

 


1Esta será uma série periódica: Eu & 5 de Portugal

2Obnubilar. Ofuscar.

3A imagem que será sempre usada com esta série é da minha primeira visita a Portugal, em 2005. Nela estou às portas do Mosteiro dos Gerónimos, em Belém.

O Que Você Faria?

Crise. Já ouviu essa palavra? Provavelmente é das palavras mais faladas (e ouvidas, por conseguinte), desde há muitos anos. Estamos permanentemente em crise. Econômica, política, social, ambiental, humanitária… Mas mais do que todas essas, estamos permanentemente em crise pessoal.

Se te disserem que está tudo bem, desconfie. Há quem se defenda da sua crise fingindo que ela não existe. Sim, porque estamos em crise desde que nascemos. Pra começar, mal saímos da mãe, já nos dão uma bolachada. E pra quê? Só pra ver a gente chorar? Tem coisa mais sádica do que essa? Bater num pobre e indefeso bebê? Mas adiante, que a vida é curta, mas só quando a gente olha pra frente. Pra trás até parece que eu nasci no século passado. Continuar lendo “O Que Você Faria?”