a cara de quem levou tanta porrada

Eu raramente “reblogo” o que quer que seja.
Mas este texto, esta poesia, esta dor em linha…
Isso é “do caraças”.

E todo mundo tem de ter o direito de o ler…
E pensar.
E olhar para si mesmo.
E talvez até chorar.
E no fim, erguer a cabeça, bendizer a própria sorte.
E com menos ou mais porradas, continar.


 

lux et voluptas

queria ter menos cara de quem levou tanta porrada

queria ter a carcaça mais fina

um olhar menos esperando o próximo soco

queria esperar menos o pior de tudo e de todos

queria a dissimulação de quem diz “não, obrigado”

a irrelevância de um estúpido “de nada”

 

eu aguento, mas eu queria mesmo era ter

menos cara de quem levou tanta porrada

 

queria ter a sofisticação de uma infância tranquila

a classe da despreocupação

de um fino vestido longo estampado

ajustado a uma pele branquinha e sem eczemas

a esguiez aristocrática de quem não conhece

o gosto do próprio sangue escorrendo nos lábios

nem do sufoco da espera lastimada

 

eu aguento, mas eu queria mesmo era ter

menos cara de quem levou tanta porrada

 

eu revido sempre

deixo cicatrizes nos outros

aguento bem o tranco

mas eu queria mesmo era

o silêncio de quem esvazia a…

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João, o Perdido

O João?

“Um perdido”, diria “seu” José, pai de João, sem nem mesmo tirar os olhos do seu jornal. Não que fosse fácil. Tirar os olhos do jornal, digo eu, porque essa era mesmo a fama de João.

Acontece que João ganhou fama muito cedo. Logo aos 7 anos, seus pais perderam o filho no supermercado. Encontraram-no no lugar mais óbvio, o corredor dos brinquedos.

Lá estava ele, olhando para as caixas de brinquedos perdido num mundo de faz de conta, sonhando acordado. Seu sonho tinha algo a ver com uma cidade em miniatura, um navio pirata, água pela cintura e um monstro marinho gigante, que por um destes motivos inexplicáveis da vida, era a cara do irmão mais novo do seu vizinho. E berrava como ele.

João tinha muito potencial e sua fama não parou de crescer.

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Abadom & Baphomet – O Baile

Em um canto escuro do inferno, vários demônios, cada um com uma máscara mais espalhafatosa do que a outra, discutiam acaloradamente quem seria o vencedor do campeonato de luta mexicana. Entre goles de cerveja quente, piadas infames, risadas demoníacas e apostas nesse ou naquele lutador, quase não ouviram o telefone tocar. Baphomet atendeu a chamada e enquanto escutava a ladainha, começou a fazer zapping na televisão, com o claro intuito de irritar os outros. Enquanto se protegia da chuva de copos de papel e pipoca que resultara da sua marotice, entrou um dêmonio carregando um engradado de cervejas. Com um sorriso malicioso e todo divertido, Baphomet lança a notícia:

— É pra você, Abadom.

Abadom revira os olhos e solta um grunhido ameaçador. Com um longo suspiro larga o engradado de cervejas no chão e desaparece para atender o chamado, antes de Baphomet conseguir avisá-lo.

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O Ódio Nosso de Cada Dia…

O que era não é mais

Acordo de um sonho terrível
Silvos ao longe anunciavam a chegada
Dos trovões que ninguém quer ouvir 
Ainda sinto o cheiro da carne queimada
Ainda vejo as cinzas espalhadas
No alto da colina que jaz morta
Onde antes haviam gritos e gemidos
E punhos erguidos, em uníssono
Cantando uma canção, velha conhecida
Mas a verdade não tardou a ser revelada
Os que morreram não foram os meus
Antes gente, agora corpos sem alma
Que o inferno leve-os a todos
Pois que a verdade me foi revelada
E se eles já não existem, tanto me faz
Quanto apraz
Pois que antes eram gente, mas não mais

Jauch

ó.di.o

Sentimento de intensa animosidade relativamente a algo ou alguém, geralmente motivado por antipatia, ofensa, ressentimento ou raiva.

O que é o ódio?

Alguma vez na vida você já sentiu ódio por outra pessoa?
Um assassino? Um molestador de crianças? Uma pessoa violenta? Um político? Um parceiro que te traiu?

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Tenho um Blog… E agora?

Todo mundo que já começou um blog teve suas razões. Podem ser razões altruístas, políticas, artísticas ou comerciais. Podem até ser razões pessoais. Há quem tenha um blog apenas como válvula de escape. Para quem o ato de escrever transfere os sentimentos para o “papel”, deixando o coração mais leve. Também há aqueles que tem o blog como uma tábua da salvação. Serve para aproximar quando a presença física não é tolerável ou possível.

Independentemente dos motivos que o levaram a ter um blog, há coisas que é preciso saber para não se sentir frustrado e tirar o melhor proveito dessa ferramenta. Vamos a elas?

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