a cara de quem levou tanta porrada

Eu raramente “reblogo” o que quer que seja.
Mas este texto, esta poesia, esta dor em linha…
Isso é “do caraças”.

E todo mundo tem de ter o direito de o ler…
E pensar.
E olhar para si mesmo.
E talvez até chorar.
E no fim, erguer a cabeça, bendizer a própria sorte.
E com menos ou mais porradas, continar.


 

lux et voluptas

queria ter menos cara de quem levou tanta porrada

queria ter a carcaça mais fina

um olhar menos esperando o próximo soco

queria esperar menos o pior de tudo e de todos

queria a dissimulação de quem diz “não, obrigado”

a irrelevância de um estúpido “de nada”

 

eu aguento, mas eu queria mesmo era ter

menos cara de quem levou tanta porrada

 

queria ter a sofisticação de uma infância tranquila

a classe da despreocupação

de um fino vestido longo estampado

ajustado a uma pele branquinha e sem eczemas

a esguiez aristocrática de quem não conhece

o gosto do próprio sangue escorrendo nos lábios

nem do sufoco da espera lastimada

 

eu aguento, mas eu queria mesmo era ter

menos cara de quem levou tanta porrada

 

eu revido sempre

deixo cicatrizes nos outros

aguento bem o tranco

mas eu queria mesmo era

o silêncio de quem esvazia a…

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Ah… Geni…

Há letras de música que, antes de serem música, são poesia. Estão carregadas de vida, de caos em harmonia. Dizem tudo o que você precisa ouvir. Está lá. Olhe novamente. Sente.

Uma dessas letras é Geni e o Zepelim, do cantor, compositor e escritor Chico Buarque. Ela surge pela primeira vez no musical Ópera do Malandro, em 1978.  Em 1979 aparece no álbum e em 1986 no filme, ambos com o mesmo nome.

O texto é uma poesia, escrita em versos heptassílabos (na generalidade), metrificados e rimados (da wikipedia). Heptassílabo significa que em cada verso há 7 sílabas se contarmos da primeira sílaba até a sílaba tônica da última palavra. Conseguem imaginar o trabalho que dá desenvolver um texto assim?

Quanto às rimas, elas são irregulares, o que você pode notar ao observar a letra, que se segue.

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Versatile Blogger Award

Os “prêmios” no universo dos blogs são uma forma engraçada de fazer duas coisas: Indicar outros blogs que nos chamam a atenção e, ao mesmo tempo, dar um pouco mais de visibilidade ao nosso próprio.

A Renata, do blog Mulheres e Mentes indicou o meu blog como um dos preferidos nela, no prêmio “Versatile Blogger Award”. Eu agradeço imensamente a indicação. Na lista de 6 blogs que ela mencionou (podes ver o post aqui), eu sou o único ser humano do sexo masculino presente. Isso é um privilégio e, espero, uma indicação de que eu estou no caminho certo e não deixo que os impulsos machistas, com que a sociedade tentou me moldar ao longo dos últimos 40 anos, prevaleçam sobre a minha capacidade crítica e capacidade de expressão.

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Tenho um Blog… E agora?

Todo mundo que já começou um blog teve suas razões. Podem ser razões altruístas, políticas, artísticas ou comerciais. Podem até ser razões pessoais. Há quem tenha um blog apenas como válvula de escape. Para quem o ato de escrever transfere os sentimentos para o “papel”, deixando o coração mais leve. Também há aqueles que tem o blog como uma tábua da salvação. Serve para aproximar quando a presença física não é tolerável ou possível.

Independentemente dos motivos que o levaram a ter um blog, há coisas que é preciso saber para não se sentir frustrado e tirar o melhor proveito dessa ferramenta. Vamos a elas?

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