Sonho de uma manhã de verão…

Iniciou o penoso caminho para a  realidade. Sua mente encontrava-se em um estado de torpor, vagueando por um vórtice de vazios, um sedutor mundo feito de um nada profundo e denso. A cada novo despertar tornava-se mais difícil escapar desse lugar.

Acordou de um sono sem sonhos, deixando-se ficar onde estava: um cobertor puído e mal cheiroso, única proteção contra o frio que  transpirava de forma intensa do chão. Manteve os olhos fechados. Hábito. Se fosse possível enxergar em meio ao breu absoluto que permeava o cômodo, alguém menos atento diria se tratar de um cadáver ressuscitado, não de alguém que acabou de acordar.  Apresentava um semblante sereno. Permanecia imóvel. Continue lendo “Sonho de uma manhã de verão…”

Estrada Para o Fim do Mundo

Com as mãos apoiadas sobre o cabo da pá, olhava para o resultado da última meia hora de esforço: uma cova pequena, profunda o suficiente apenas para evitar que animais pudessem encontrar o que ali seria depositado. O olhar vazio refletia o que lhe ia na cabeça. E no coração. Largou a pá e desapareceu na escuridão da pequena construção em ruínas, distante cerca de 50 metros de onde estivera a cavar. Voltou de lá trazendo nos braços um pequeno volume envolto em um cobertor de criança, sujo e maltratado pelos anos a pegar poeira e humidade. Continue lendo “Estrada Para o Fim do Mundo”

Velha Infância (Ou Os Peixinhos)

Os Peixinhos
(Tribalistas)

Os peixinhos são
Flores sem o chão
Nadam, boiam, fazem bolhas
E bolinhas de sabão

Como lindos são
Coloridos tão
Espirrando gotas
Como notas na canção

Nas vitrines máscaras de aquários
Dos mergulhadores
Furtam do arco-íris tantas cores
Ultravioleta, infravermelho
Degradée e fúcsia
Todas as modulações do espectro

Os peixinhos são
Flores sem o chão
Nadam, boiam, fazem bolhas
E bolinhas de sabão

Como lindos são
Coloridos tão
Espirrando gotas
Como notas na canção

Nas escamas brilha espelhada
Toda a luz do sol
Verde, azul, vermelho, ouro e prata
Segue junto com o seu cardume
Pra enganar o anzol
Aquarela colorindo a água Continue lendo “Velha Infância (Ou Os Peixinhos)”

Céu Rubro à Noite

Decididamente, a primeira… A outra, ah… Certamente sente. Mas a primeira é a primeira. Não se mente. Disso sabe toda gente. E no fim, ficaria sempre mal, porque a primeira, ainda que especial, não é “a tal”. Raras as vezes, a penúltima, nunca a última.

E a última. A última é a última. É a definitiva. É a que fica. Nada há para além da última. Nada importa para além da última. Nada sobra para ninguém, depois da última. A última vai contigo para a cova. Cova rasa ou profunda, a que te acompanha é sempre a última. Continue lendo “Céu Rubro à Noite”

Tio Rex

Há coisas que simplesmente acontecem, e temos de agradecer por isso.

A música é um elemento muito importante em minha vida. Muito. Pudesse eu, tudo que eu faço teria uma trilha sonora. Bom, boa parte já tem… Por essa razão estou sempre à procura de músicas que toquem minh’alma.

Calhou de hoje, enquanto deambulava entre as estantes de livros da FNAC em Oeiras, ouvir uns acordes no palco que ali há. Várias vezes por mês essa loja é palco de algum espetáculo, em sua maioria de músicos Portugueses. Continue lendo “Tio Rex”

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