Noite Dentro, MOÇAMBIQUE…

Noite-Dentro-Mocambique-e-Outras-Narrativas

Observam-me. Assusto-vos. Há na minha tez algo de febril que vos inquieta. Sorrio. Estremeço. Um homem queimado, pensam.Não levanto os olhos. Sobressalto-me muitas vezes, ao mínimo ruído, ao mínimo gesto. Estou ocupado a lutar contra coisas que não vêem, nem sequer seriam capazes de imaginar. Lamentam-me, e têm razão. Mas nem sempre fui assim. Era um homem, dantes.

Assim começa a primeira de quatro narrativas de Noite Dentro, MOÇAMBIQUE, do francês Laurent Gaudé.

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Dia Mundial do Livro

O dia mundial do livro foi oficialmente definido pela UNESCO como sendo o dia 23 de Abril. No discurso deste ano, a diretora geral da UNESCO, Irina Bokova, iniciou com a seguinte afirmação:

O dia Mundial do Livro e do Copyright é uma oportunidade para destacar o poder dos livros para promover a nossa visão de sociedades do conhecimento que são inclusivas, pluralistas, eqüitativas, abertas e participativas para todos os cidadãos.

É curioso notar que a UNESCO comemora não apenas o “Livro”, mas também o “Copyright”. Mas isso fica para uma discussão futura.

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Natureza Morta I

Natureza Morta é um tipo de composição em que são representados apenas seres “inanimados”, tais como frutas, taças, instrumentos musicais, etc.

A composição aqui representada foi feita, literalmente, à luz de velas. Foi utilizado apenas um lápis B (B refere-se à dureza, sendo ligeiramente mais macio do que o HB, que é o lápis preto comum).

É a minha primeira natureza morta e eu quis um motivo “noturno”, em que os objetos estivessem no escuro, com sombras bastante distintas e abruptas. Ainda não foi dessa vez que eu consegui exatamente o que eu quero, mas eu chego lá.

A ponta do lápis está bastante longa, sendo possível preencher grandes áreas bastante rapidamente. Entretanto, o desenho fica menos “preciso”, porque todas as linhas, para evitar marcar o papel, são feitas com o lápis “deitado”, o que gera traços mais largos.

O Papel é uma folha A5 180g, amarelada, com textura, o que também contribui para uma menor precisão não só nos traços como também no preenchimento.

Para uma segunda tentativa na mesma noite, estou satisfeito com o resultado.

Agora é continuar a praticar e testar outras técnicas.

Abraços!

Manuela Não Acreditava no Amor

Manuela não acreditava no amor. Também não acreditava em gnomos, carros ou dentistas. A verdade é que simplesmente não acreditava. Fosse no que fosse. Aliás, Manuela não tinha nome. Não de nascença, pelo menos. O “Manuela” surgiu já muito tarde em sua curta vida. Somando-se o facto de não acreditar no amor, pode muito bem ter sido culpa do nome que lhe fora impingido, à revelia, a verdadeira causa do seu trágico fim. Quem poderá afirmar com toda a certeza?

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Desenhar ou Desenhar

Das poucas memórias que ainda retenho de quando era mesmo muito pequeno, a maioria está relacionada com desenhar (ou com comer 😉 rs).

Lembro de uma reunião com familiares e amigos, acredito que em casa de uma tia avó, em São Paulo (ou terá sido em Curitiba?), em que o “tio Nando” (o primo da minha mãe), desenhou-me um carro. Acho que era um Fusca.

Lembro também de estar na cozinha de casa, em Curitiba, com os meus 7 para 8 anos, a encher uma folha com pequenos desenhos ao lado de uma amiga da família. Quais desenhos? Já não sei. Lembro que desenhava velas. Sim, velas, daquelas acesas, com cera escorrendo, sobre um prato. Daquelas dos cartões de natal. E mais muitas outras coisas que já não sei o que eram.

Dessa altura lembro ainda de uma tarefa dada na escola. Eu e alguns colegas escolhemos desenhar carros. Desenhei vários. Coloridos. De vários “formatos”. Não sei que fim levaram esses desenhos, mas acho que alguém os encontrou, pois tenho certeza que já vi um ou dois deles na rua. Sim. Carros. Que eu desenhei mais de 30 anos atrás. Quem diria que eu seria um visionário, hein? 😉

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