Todo mundo que já começou um blog teve suas razões. Podem ser razões altruístas, políticas, artísticas ou comerciais. Podem até ser razões pessoais. Há quem tenha um blog apenas como válvula de escape. Para quem o ato de escrever transfere os sentimentos para o “papel”, deixando o coração mais leve. Também há aqueles que tem o blog como uma tábua da salvação. Serve para aproximar quando a presença física não é tolerável ou possível.

Independentemente dos motivos que o levaram a ter um blog, há coisas que é preciso saber para não se sentir frustrado e tirar o melhor proveito dessa ferramenta. Vamos a elas?

1. Você não está sozinho no universo

Pois não. O seu blog é mais um entre centenas de milhares de outros blogs. Provavelmente milhões de outros blogs. Quer ter uma ideia? Apenas no WordPress, são publicadas, mensalmente, mais de 80 MILHÕES de posts. Sobre o WordPress podes encontrar algumas informações interessantes aqui.

E todos estão competindo por atenção.

2. Existe algo chamado tempo, e ele é limitado

Cada pessoa sabe da sua própria vida, mas a maioria precisa estudar, trabalhar, dar atenção à família e aos amigos. Viver, diriam uns. Não sobra muito tempo livre e, do tempo livre, a maioria dele é gasto em outras atividades que não a leitura de blogs.

Nem todas as pessoas são criteriosas em como gastam de tempo, mas a probabilidade de você não conseguir muitos “seguidores”, durante muito tempo, é grande. Talvez para sempre.

E entenda que, quando digo “seguidores”, refiro-me a pessoas que efetivamente lêem o que você escreve, sentem prazer em ver suas fotografias, ouvem suas músicas, etc.

E mesmo os seus seguidores “praticantes” (usando o mesmo conceito aplicado à religião), aqueles que efetivamente lêem/vêem/gostam/comentam o que você publica, não vão ler/ver/gostar/comentar tudo.

Não há tempo suficiente. Só isso.

3. Visualizações e likes são ilusões

Esse é um aspecto muito importante da vida em um blog. Normalmente, além dos comentários, é possível obter estatísticas sobre as visualizações. Que páginas foram vistas? Quantas vezes? De onde vinham as pessoas? De que países?

A maioria dos sistemas de blogging também disponibiliza formas das pessoas mostrarem que gostaram da sua publicação. No WordPress isso é feito através dos “likes”.

Mas na realidade, a menos que seu objetivo seja comercial, principalmente ligado ao ato de exibir propaganda, todas essas métricas acabam se mostrando vazias.

Porque saber quantas pessoas visitaram seu blog ou quantas gostaram de uma publicação não te aproxima dessas pessoas. Para vencer o isolamento, a distância, para efetivamente conectar com o outro, é preciso mais.

4. Segue-me e te seguirei

Outra prática corrente com a qual você vai se deparar, mais cedo ou mais tarde, é a do “segue-me e te seguirei”. Seja de forma explícita, com um pedido e tudo, como por exemplo um comentário deixado em uma de suas publicações que diz algo como “Blog fantástico! Segui! Segue-me também!”, seja de forma mais sutil, com uma série de “likes” em várias das suas últimas publicações e o pedido para seguir o blog.

Se notares, vais ver que normalmente o pessoal que faz isso nunca mais aparece, ou aparece ocasionalmente, faz like em alguns posts e é isso.

5. Existem ogros no mundo

Sim. Os ogros existem. E eles se alimentam da sua zanga.

Funciona sempre da mesma maneira. Eles vem, lêem na transversal o que você escreveu, não se dão ao trabalho de interpretar (as vezes por falta de condições para tal, as vezes porque não lhes interessa), e começam a disparar comentários insultuosos.

Há algumas ferramentas para lidar com isso, como não permitir comentários de ficarem visíveis sem a sua aprovação, etc.

Mas eles estão lá e nada que fizeres vai fazê-los desaparecer. Pelo contrário, quanto mais argumentar e se exaltar, mais fortes eles ficam.

Recomendações

E aqui, finalmente, ficam algumas das minhas recomendações.

a) Não espere ficar famoso com seu blog. Pode acontecer, mas o mais provável é que não. Portanto, mantenha as expectativas baixas para não gerar uma frustração muito grande à medida que o tempo passar e você perceber que afinal, não tem assim tanta gente interessada no que você tem a dizer/mostrar.

b) Não espere que todos os seus amigos, contactos, seguidores, etc, visualizem, gostem e comentem tudo o que você publica. Isso não vai acontecer. Ponto. Não acontece nem mesmo com gente famosa, que dirá conosco, meros mortais. Além disso, nesse caso, não devemos esperar dos outros algo que nós mesmos não somos capazes de fazer.

c) Dê preferência e atenção aos comentários. Eles mostram quem realmente gostou/não gostou e leu/contemplou o que você publicou. Likes e número de visualizações não. Crie laços. Siga outros blogs que te dizem alguma coisa. Comente também. Crie relações. Não se isole dos outros esperando tudo sem dar nada em troca. Mas também não saia distrubuindo likes só porque sim. Seja honesto. Só a reciprocidade honesta ajuda a criar vínculos duradouros.

d) Evite “seguir” só porque te seguiram, ou para que te sigam também. Você não se interessa por tudo. Seja honesto aqui também. E por outro lado, não se zangue nem fique triste se esperava que alguém te seguisse e essa pessoa não o fez. Nem todo mundo se interessa pelo que você tem a dizer. E quanto mais pessoal for o seu blog, menos e menos gente vai se interessar. É a vida. Aceite e serás mais feliz.

e) Não alimente os ogros. Se vir que alguém está apenas “causando” nos seus textos, que não trás nenhuma crítica útil (não precisa necessariamente ser acompanhada de sugestão), que não complementa, expande, aponta outras formas de ver o mundo, ignore. O tempo é curto e há mais o que fazer do que gastar energias em causas perdidas.

Enfim, use o teu blog como uma ferramenta para ajudar-te a se aproximar das pessoas. Pessoas iguais e pessoas diferentes. Ou seja, busque a diversidade.

O que importa é criar as conexões e crescer com elas. Vamos arrebentar as bolhas em que estamos vivendo e aprendermos a respeitar e amar as diferenças. Porque ninguém quer “ser mais um”, irrelevante. Ou quer?