Crise. Já ouviu essa palavra? Provavelmente é das palavras mais faladas (e ouvidas, por conseguinte), desde há muitos anos. Estamos permanentemente em crise. Econômica, política, social, ambiental, humanitária… Mas mais do que todas essas, estamos permanentemente em crise pessoal.

Se te disserem que está tudo bem, desconfie. Há quem se defenda da sua crise fingindo que ela não existe. Sim, porque estamos em crise desde que nascemos. Pra começar, mal saímos da mãe, já nos dão uma bolachada. E pra quê? Só pra ver a gente chorar? Tem coisa mais sádica do que essa? Bater num pobre e indefeso bebê? Mas adiante, que a vida é curta, mas só quando a gente olha pra frente. Pra trás até parece que eu nasci no século passado.

Depois é o doce que não nos querem dar. O brinquedo que não nos querem comprar. O espinafre com que nos querem matar. Sim, porque nessa altura da vida, comer mato é o fim de tudo que existe.  Só não é pior do que quiabo, claro. E do que ter que fazer os deveres de casa. Ou do que a obrigação de arrumar o quarto. Ou a dor de cornos do amor que o platão inventou (criar coragem e falar com ela não é pra aqui chamado).

Piadas à parte, de crise em crise vamos tocando a vida. Uns com mais sucesso que outros. Uns com mais paciência que outros. Uns com mais sanidade que outros.

Mas porquê? Porque é assim que somos. Vivemos uma vida que não é apenas nossa. É dos outros. Vivemos uma vida que não nos pertence por completo, porque vivemos numa bolha de ar girando pelo cosmos, tentando não ser alvo de mais um desses pedregulhos que vira e mexe passam aqui perto. E ninguém sabe pilotar essa geringonça aqui!

E quanto mais eu me distancio dos 40 e me aproximo dos 41, mais eu penso nas razões que nos levam a levar tudo tão a sério. Certa vez alguém disse, e disso tenho certeza, apesar de lá não ter estado, porque se ainda ninguém disse, eu sou um verdadeiro gênio:

Porque essa cara tão feia? Não é como se você fosse sair vivo dessa vida…

E a verdade é que quanto mais nós nos preocupamos com o que os outros pensam de nós, quanto mais tentamos nos adaptar às exigências que nos são feitas, todas elas, diretas, veladas, sussurradas… Mais e mais vamos nos perdendo de nós mesmos. Mais e mais temos dificuldade em escolher, ou de perceber se o que escolhemos é realmente bom para nós. Mais e mais fazemos menos e menos pelos outros e por nós, ocupados que estamos em tentar ser aquilo que esperam.

Deixamos de viver.

Há quem tenha forças para seguir em frente. Para nadar na lama. Há quem encontre refúgio. Há quem encontre apoio. Há quem finge que não é nada comigo. E há quem não consiga. E há cada vez mais quem não consiga, porque as exigências são cada vez mais absurdas.

O que podemos fazer para mudar isso? Não sei. Talvez começar por aceitar que a vida é assim. Que quando muito, temos forças para cuidar do nosso próprio jardim. Talvez, como na letra da música que eu vos deixo a seguir, dizer a nós próprios o que é que faríamos se só nos restasse um dia? Se assumirmos que só nos resta um dia, o que é que vamos valorizar? O que nos será caro? O que vamos fazer? Vale a pena viver como se esse dia nunca fosse chegar? Como se tivéssemos tempo para viver, depois de viver?

Viva como se este dia fosse o último. Um dia você acerta.

Não. Eu não vou dizer como você deve viver sua vida. Certa vez dei de cara com uma citação que dizia, em outras palavras, que o teu caminho é o teu caminho, só você pode caminhar nele, ninguém mais. Bom, na verdade dizia mais algo como se o outro não encontrou a resposta sozinho, ele é burro e não vai te entender. Mas eu não posso dizer que encontrei a resposta. Apenas que estou tentando seguir o meu caminho, não o dos outros. Não está fácil.

Se você conseguiu chegar até aqui, obrigado. Do fundo do coração. E pense o que pensar, antes de ir embora, dê chance ao moço aqui de baixo. Ele é um dos grandes nomes da música brasileira.

Abraços!

O Último Dia
(Paulinho Moska / Billy Brandão)

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria

Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria…


1Hoje faz 7 anos que eu dei entrada aqui no WordPress. A maior parte deste tempo eu não estive aqui, é verdade. Blogger. Alojamento próprio. Tive muitos blogs diferentes antes, durante e quem sabe, depois. Mas pronto, parece que hoje é o dia dos “marcos”. Não custa nada registrar…

2Este é também o “post” de número 50 desde que eu comecei a publicar neste blog que tem como nome o meu. E é esta a razão de ter feito este post em especial. Não é todo dia que se publica o “post” de número 50, certo?

3Este “post” é dedicado à Renata, do Renata Papeleira. Ontem ela publicou este “post”, e eu achei que tinha de lhe oferecer esse “mimo” 🙂

4Sim, este “post” é um grande rant. 😉

5Este “post” não foi editado. Estou com sono. 😛