Eu sou Infinito

Eu olho para o passado. Meu passado. Minhas experiências, medos e sonhos. Os amores e os ódios. Eu olho para aquele que fui, e para aquele que penso que fui, e para aquele que imagino que fui, e para aquele que desejo ter sido.

E não me reconheço em nenhum deles.

Essa pessoa que fui, eu, um eu, não era quem hoje sou. Esse outro eu sequer era um eu. Era muitos eus. Infinitos eus. Cada eu que fui foi único e efêmero. Cada eu que fui não durou mais do que um suspiro. A cada milésimo de segundo eu morri e renasci. E quem começou a escrever estas linhas, uma hora atrás, já não anda mais por esta terra. Já morreu. E renasceu. E morreu novamente para dar lugar a um novo eu. Que morreu e renasceu eu, que já não existe porque quem existe sou eu. E eu não existo…

Mas eu existo desde antes de nascer. Desde antes de ser concebido. Desde antes de ser desejado ou imaginado. Eu existo desde o princípio dos tempos. Todos os eus que fui, que sou e serei, sempre existiram. Sou um eu que se transubstancia em mim mesmo, através do tempo e do espaço. Um eu que sempre existiu e vai existir para sempre. Infinito.

E por ser infinito, ninguém sabe quem sou. Ninguém é capaz de me ver ou conhecer, ninguém é capaz de me tocar. O eu que os outros pensam e imaginam, amam e odeiam, buscam e fogem, já não existe. O eu que vêem quando estou bem em frente deles não sou eu. Esse eu é passado. E sou todos os meus eus, e não sou nenhum, porque mesmo eu não posso me encontrar.

O futuro sempre foi uma mentira.
O presente é só uma ilusão.
Só o passado existe.

Mas eu não sou meu passado.
Eu não existo.
Eu sou Infinito.

“To Let Myself Go”
(Ane Brun)

To let myself go
To let myself flow
Is the only way of being
There’s no use telling me
There’s no use taking a step back
A step back for me…


1Eu tinha pensado em escrever algo completamente diferente… Mas, por alguma razão, saiu esse pequeno devaneio. Não foi planeado. Não foi pensado. Simplesmente saiu…

2A trilha sonora deste texto, inicialmente, não era para ser essa… Ao longo deste texto, que teve múltiplas vidas antes de finalmente chegar ao seu fim, eu ouvi outras 3 músicas, em repeat, além dessa. Mas esta… Esta tinha de ser a música a decorar o texto.

3Não fui eu que escrevi este texto. Foram muitos eus, mas eu não sou mais nenhum deles…

22 comentários sobre “Eu sou Infinito

  1. Rapaz! O meu eu, que agora é eu,e daqui à pouco já não será mais este mesmo eu,pelo infinito que somos,e que a cada instante, é um novo eu…
    Agradece de coração, ao seu eu que este post escreveu, com uma leveza absurda,e de um fascínio estonteante,me fez mais uma seguidora desse blog, fantástico escrito por alguém de um talento que realmente chamou minha atenção! Parabéns!

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  2. Numa de brincadeira….acho que este curioso devaneio e texto lhe está a dizer que está a precisar de um calmo e relaxado fim-de-semana… apenas a olhar…a sentir no corpo e na pele…e a não pensar!
    Desejo por isso um futuro fim-de-semana sentido, agradável… e não mentiroso!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Noooooosssssa. O texto mais louco publicado por aqui. Entretanto, há muita sabedoria nele… Enfim, o parabenizo (o você que você é agora ou o você que escreveu o texto?! nem sei…) pela extrema criatividade.

    Curtido por 1 pessoa

  4. teu devaneio ou reflexão, como prefiro, vem ao encontro do que venho há muito pensando e escrevendo, inclusive no Chronos, mas sobre janelas, portas, prédios…o que somos, o que fomos e o que poderemos ser. destes um caminho: infinito. algo que o tempo verbal, o temporal(pode ser em todos os sentidos), não conhece ao certo, pois não existe. brilhante, Eduardo. tenho algo mais para pensar. muito obrigado. o meu abraço.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Obrigado Fernando.
      Decididamente, concordo. Teu trabalho tem muito do “infinito” que me assombra desde muito tempo atrás, quando isso ainda não deveria ser algo a assombrar minhas noites…
      Um grande abraço e obrigado pela visita! 🙂

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