Estrada Para o Fim do Mundo

Com as mãos apoiadas sobre o cabo da pá, olhava para o resultado da última meia hora de esforço: uma cova pequena, profunda o suficiente apenas para evitar que animais pudessem encontrar o que ali seria depositado. O olhar vazio refletia o que lhe ia na cabeça. E no coração. Largou a pá e desapareceu na escuridão da pequena construção em ruínas, distante cerca de 50 metros de onde estivera a cavar. Voltou de lá trazendo nos braços um pequeno volume envolto em um cobertor de criança, sujo e maltratado pelos anos a pegar poeira e humidade. Continuar lendo “Estrada Para o Fim do Mundo”

As Batalhas do Castelo

Fechou o livro, apagou a luz e deitou-se de costas. Cruzou os braços atrás da cabeça e fitou o teto do seu quarto, agora iluminado apenas pela tímida claridade que emanava da rua através da janela aberta. Era áspero, ondulado, feito de finas ripas irregulares pintadas de bege, mais tinta que madeira graças aos cupins que, quando se concentrava, conseguia ouvir mastigar noite dentro.

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